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sábado, 12 de janeiro de 2013

O autocarro dos pesadelos باص الكوابيس


(massacre de Sabra e Chatila, 1982)

O autocarro dos pesadelos

vi-os deitar as minhas tias em sacos de plástico negro
e nos cantos dos sacos acumulava-se o sangue morno delas
(mas eu não tenho tias)
soube que tinham matado Natacha – a minha filha de três anos
(mas eu não tenho filha)
disseram-me que eles tinham violado a minha mulher antes de lhe arrojarem o corpo
pelas escadas e de o deixarem na rua
(mas eu não sou casado)
foram de certeza os meus óculos que foram esmagados debaixo das botas deles
(mas eu não uso óculos!)
...

dormia eu em casa dos meus pais e sonhava em viajar até à casa dela, e quando
acordei:
vi os meus irmãos
pendurados no telhado da igreja da Ressurreição.
dizia o Senhor por piedade: esta é a minha dor.
e eu recolhia o orgulho dos enforcados e dizia: não, esta é a nossa dor!
...

a dor ilumina e torna-se-me mais querida que os meus pesadelos
...

não fugirei para norte
Senhor
não me contes entre os que procuram refúgio

– fecharemos estas contas mais tarde –

agora tenho de ir dormir:
não quero chegar atrasado ao autocarro dos pesadelos
o que vai para Sabra e Chatila...

Najwân Darwîsh
Tradução (preliminar) do árabe: André Simões

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O primeiro Catulo não censurado em português

Está quase quase a sair a tradução dos Carmina de Catulo por J.P. Moreira e André Simões. A Cotovia publicou hoje os primeiros versos no seu blogue. É um livro a não perder: um poeta excelente (imaginai um James Dean poeta perdido algures na Roma da Antiguidade e tereis uma imagem próxima de quem era Catulo) e uma tradução irrepreensível.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Acordei a pensar em Alcuíno de York

A traduzir um poema grego (moderno) acabei por precisar de cravar ajuda a alguém mais experiente com a língua do que eu. Envio a tradução ao meu professor de grego e envio-a a um tradutor que sei que traduziu o mesmo poema com mais autoritas do que eu. O professor de grego não me dá resposta e eu estou com muito receio da resposta do outro tradutor. Como o senhor não me dá troco ao mail, assim que o apanho no Facebook, tufa. E ele: estou a tentar ligar-te e tu não me atendes. (E eu para com os meus botões, caramba, está assim tão mau que tenha honras de telefonema?)
Lá lhe explico que mudei de número e daí a um bocado o senhor liga-me. Três gotas de suor na testa tipo os bonecos de manga. E ele: aquilo está bom. E eu: a sério? E ele, claro. É muito literal, talvez. E eu: mas era assim que eu o queria. E estamos ali a discutir uma ou outra opção. Quando dou por mim, acabamos a discutir métrica grega antiga. É um tipo que está completamente fora da academia, este tradutor, e não digo isto de forma pejorativa. O que eu estava à espera de ouvir era que a minha tradução era uma porra porque existia a dele, a minha fé nas pessoas por estes dias está neste nível.
Mas ainda há pessoas assim, para quem um interesse em comum não entra na definição do «estás a entrar na minha coutada, vou-te partir os dentes todos com uma pedra» - o nosso meio literário, salvo excepções, em muitas coisas parece-me sofrer muito disto, com a mesquinhez e o azume que tendem a acompanhar este tipo de esquemas de pensamento e acção.
Vai desde a publicação de trocas de emails privados em blogues aquando de polémicas entre poetas e passa non solum sed etiam pela marcação do lançamento de uma revista literária para o mesmo dia à mesma hora que outra. (Não digo isto com azedume nem com a intenção de melindrar ninguém, estou só a usar exemplos, e é mesmo só isso.) Coisas que, em última análise, talvez impeçam que toda uma geração de escritores floresça no seu completo potencial. Talvez porque se perdeu, e ainda bem, o costume de «matar o pai», para usar uma expressão que ouvi a Fernando Pinto do Amaral no lançamento da revista Agio, a tendência talvez seja para as gerações de poetas mais jovens se seccionarem mais entre si. As rivalidadezinhas e os joguinhos de antecâmara. O disse que disse e o etc. Tem tanto de enfadonho quanto de pouco produtivo.
Mas imagino sinceramente que coisas como o princípio do humanismo, ou como um verdadeiro amor à poesia, estejam para sempre fora disto e que sejam antes parecidas com este episódio (e não digo isto habitada por qualquer impressãozinha irritante de superioridade moral). A viva curiosidade de pensar coisas que nos interessam em conjunto. Que talvez se pareça com uma alegria primordial de partilhar o que sei e o que não sei, de crescer, que é afinal o que estamos condenados a fazer quando aprendemos (cf. uma coisa tão velha quanto Cícero, o Da Velhice).

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

mais vos dirá o seco Tucídides, do que o artificioso Xenofonte*

Parece que finalmente acabaram os rumores. No próximo dia 16 de Dezembro, por volta das 18h30, no Museu Calouste Gulbenkian, será lançada a primeira tradução portuguesa, feita a partir do original grego, da  (única) obra de Tucídides - História da Guerra do Peloponeso. A tradução foi feita por Raul Miguel Rosado Fernandes e por M. Gabriela P. Granwehr.
Esta notícia em termos futebolísticos equivalerá eventualmente a isto:



*É um verso de Giánnis Ritsos.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Marcial XI.93 - uma releitura de Byron, 1750 anos depois

Pierios uatis Theodori flamma penates   
     abstulit. Hoc Musis et tibi, Phoebe, placet?
 O scelus, o magnum facinus crimenque deorum,   
     non arsit pariter quod domus et dominus!

(Epigramas, XI.93)

The Laureate's house hath been on fire: the Nine
All smiling saw that pleasant bonfire shine;
But, cruel fate! Oh damnable disaster!
The house – the house is burnt, and not the master!

(The Complete Works of Lord Byron, Paris, 1837, p. 888)


As chamas roubaram ao poeta Teodoro o lar
     das Piérias. Parece-vos bem isto, Musas, e a ti, Febo?
Que delito, que maldade enorme e crime dos deuses,
     que à uma não ardessem morada e morador!

Cristina Pimentel, Paulo Sérgio Ferreira, Delfim Leão, José Luís Brandão, Marcial. Epigramas IV, Ed. 70, Lisboa, 2004

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Pedicabo uos et irrumabo


O cu e a boca vos foderei eu,
Aurélio minha bicha, Fúrio meu paneleiro,
que pelos meus versinhos me julgam,
por tão delicadinhos serem, pouco virtuoso.
É que casto deve ser o bom poeta,
não têm de o ser os seus versinhos,
que além do mais têm picante e graça,
sendo tão delicadinhos e pouco virtuosos,
e se podem provocar comichões,
não digo aos miúdos, mas a estes peludos
que não conseguem mexer as duras piças.
Vocês, porque "muitos milhares de beijos"
me leram, acham que eu sou pouco macho?
O cu e a boca vos foderei eu!

Catulo, XVI
(tradução minha)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Catulo LXVII: à conversa com uma porta

Catulo:
ó tu que és estimada pelo doce marido, estimada pelos pais,
salve, e que prosperes nas boas graças de Júpiter,
ó porta, de ti dizem que prestaste bons serviços a Balbo
outrora, quando o velhote aqui vivia,
mas, conta-se, que, pelo contrário, tens servido mal o filho, 5
desde que o velho esticou o pernil e te fizeram casar1.
diz-nos por que se conta que mudaste
e abandonaste a antiga fidelidade ao teu senhor.

Porta:
não é (assim agrade a Cecílio, a quem agora pertenço)
culpa minha, embora se diga que é minha, 10
nem ninguém pode falar de nenhuma falta da minha parte,
mas esta gente é assim, é a porta que faz tudo,
sempre que se acha qualquer coisa que não está bem
todos me dizem «porta, a culpa é tua!»

Catulo:
não basta dizer isso numa única palavra, 15
é preciso fazer com que se sinta e veja.

Porta:
e como? ninguém pergunta ou faz por saber!

Catulo:
nós queremos saber: não hesites em contar-nos.

Porta:
então, para começar, que ela tenha sido trazida virgem até nós
é falso. o seu anterior marido não lhe tinha tocado, 20
a sua adagazinha pendia mais lânguida do que uma tenra beterraba
e nunca se levantou até meio da túnica;
mas o pai violou o leito do filho,
assim se conta, e desonrou a pobre casa,
talvez porque a sua mente ímpia ardia com um amor cego, 25
ou porque o filho era de semente estéril e impotente,
e num lado ou noutro se tivesse de arranjar com mais nervo
aquilo que serve para desatar o cinto virginal.

Catulo:
é um pai extraordinariamente dedicado o que descreves,
que até molha o colo do filho!2 30

Porta:
e, no entanto, não só disto diz ter conhecimento
Bríxia3, situada sob o miradouro de Cicno,
que o loiro Mela4 atravessa com sua branda corrente,
Bríxia, mãe amada da minha Verona,
mas fala também de Postúmio e do amor de Cornélio, 35
com os quais ela cometeu vergonhoso adultério.
aqui alguém dirá: «como ficaste tu a saber destas coisas, porta,
a quem não é permitido nunca abandonar a soleira do teu senhor,
nem escutar o povo, mas, presa a este lintel,
não fazes mais nada senão abrir e fechar a casa?» 40
muitas vezes a ouvi contar, em voz baixa,
sozinha com as criadas, estes seus crimes,
dizendo os nomes que dissemos, porque achava
que eu não tinha língua nem ouvidos.
para além destes acrescentou mais um que eu prefiro 45
não nomear, para que não franza as sobrancelhas vermelhas.
é um tipo alto, que teve outrora problemas
por causa da falsa gravidez de um ventre fictício5.

Notas:
1. I.e., desde que a casa se tornou dos recém-casados, do filho de Balbo e da sua mulher.
2. Eufemismo para «que até se vem no colo que pertence ao filho!»
3. A actual cidade de Bréscia.
4. Rio que corre junto a Bréscia.
5. Aparentemente o indivíduo visado teria, para receber uma herança que estipulava que o beneficiário deveria ter filhos naturais, obrigado a mulher a simular gravidez e, ao mesmo tempo, adoptado uma criança, que faria depois passar por sua. O engano foi descoberto e o sujeito teve de responder em tribunal.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

"The art of translation"

Two grades of evil can be discerned in the queer world of verbal transmigration. The first, and lesser one, comprises obvious errors due to ignorance or misguided knowledge. This is mere human frailty and thus excusable. The next step to Hell is taken by the translator who intentionally skips words or passages that he does not bother to understand or that might seem obscure or obscene to vaguely imagined readers; he accepts the blank look that his dictionary gives him without any qualms; or subjects scholarship to primness: he is as ready to know less than the author as he is to think he knows better. The third, and worst, degree of turpitude is reached when a masterpiece is planished and patted into such a shape, vilely beautified in such a fashion as to conform to the notions and prejudices of a given public. This is a crime, to be punished by the stocks as plagiarists were in the shoebuckle days.
Um texto de Vladimir Nabokov, continuar a ler aqui.

sábado, 13 de março de 2010

Wallâda de Córdova, ou de como já não se fazem princesas como dantes


Wallāda bint al-Mustakfī (994-1091) foi filha de Muḥammad III al-Mustakfī, um dos últimos califas de Córdova (1024-1025). Contam os seus contemporâneos que era de uma beleza extraordinária, de longos cabelos dourados e pele suave. Mesmo depois do assassinato do pai, em 1025, manteve-se à tona na sociedade de Córdova, liderando o mais importante salão literário da cidade. Passou, no entanto, à História pela sua moral pouco condizente com os preconceitos sobre a mulher muçulmana, e pelos poemas de carácter explicitamente amoroso ou satírico.

Não tendo nunca casado, manteve várias relações amorosas, das quais a mais conhecida e frutuosa do ponto de vista literário foi com o poeta Ibn Zaidūn. Desta relação nasceram alguns dos mais belos textos da literatura árabe - e também alguns dos mais malcriados. Na verdade a relação terminou de forma tempestuosa, por razões pouco conhecidas. Segundo algumas versões, Ibn Zaidūn teria traído a princesa com uma escrava negra. Outras fontes insinuam que não foi uma escrava, mas um escravo. Certo é que Wallāda rifou Ibn Zaidūn, e trocou-o pelo seu arqui-inimigo político, o vizir Ibn ʿAbdūs. Também desta ruptura haveria de nascer uma soberba e famosa obra literária, a "carta cómica" de Ibn Zaidūn, onde regurgita uma crítica ferocíssima ao rival.

Mas concedamos a palavra à princesa Wallāda, que pouco depois de mandar Ibn Zaidūn dar uma volta lhe dedicou este simpático poema:


É verdade que Ibn Zaidûn tem um cu
que adora as vergas nas ceroulas.
Se ele tivesse visto um caralho sobre uma palmeira,
ter-se-ia transformado no pássaro ababil.

Traduzo directamente do original árabe, com revisão de Nadia Bentahar. Optei por transformar os hemistíquios em versos independentes, por razões estéticas. A referência ao "pássaro ababil" é ordinaríssima e remete para a Sura do Elefante (105), que relata como o exército dos abissínios foi dizimado por pássaros ababil, que o deixaram como "um campo devorado".

sábado, 7 de novembro de 2009

As Traduções de David Mourão-Ferreira

Entre os números 163 a 165 a Colóquio-Letras encarregou-se de criar uma série que reúne as diferentes traduções de poesia de David Mourão-Ferreira. A série intitula-se Vozes da Poesia Europeia (I,II e III) e reúne um largo número de poetas. De Homero a Valery passando por Antonio Machado (este era aquele poeta espanhol que também criou uma série de personalidades literárias muito semelhante aos heterónimos de Pessoa) ou Rilke ou (poesia atribuída a) Poliziano.
Do número 163 ao 165 viajamos em diacronia pelas diferentes vozes poesia europeia que David Mourão-Ferreira quis traduzir, começando na antiguidade e terminando no séc. XX.
Trata-se de mais um daqueles casos em que a selecção antológica vale a pena não só pelo número de poetas que reúne mas também para observarmos as decisões do tradutor/organizador.
Os números contam com ilustrações de Nuno Veigas.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Algumas questões gerais sobre tradução (e um artigo sobre Proust pelo meio)

"The Shape of Time" é um artigo de 2004, da autoria de Peter Brooks sobre Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust, publicado no New York Times. O artigo versa em parte sobre a problemática da tradução de Proust para inglês, e o autor fala-nos de diferentes traduções e da qualidade de cada uma, revisitando a história da tradução desta obra para língua inglesa. Impressionou-me a ideia de Cambridge ter feito uma tradução da obra em que cada volume é traduzido por um autor diferente. Acho que isso não resulta, embora traga diversidade de soluções e pluralidade de vozes. Se fossem livros diferentes de um mesmo autor, talvez não me chocasse tanto, mas é apenas um romance, em sete volumes. Foi escrito por uma só pessoa, creio que deve ser traduzido por uma só pessoa. É uma questão de garantir, tanto quanto possível, coerência de estilo e unidade. Em Portugal, Pedro Tamen traduziu, para a Relógio d'Água, todos os sete volumes e fez, sem dúvida, um bom trabalho. Por ex., percebemos na sua tradução o longo fôlego que Proust dava aos seus períodos, é característico de Proust, e Tamen conservou esta característica. Nestes pormenores, é possível avaliar a qualidade do tradutor.
Há outros casos de tradução para português que acho igualmente notáveis, como, por exemplo, o trabalho que Frederico Lourenço realizou na sua tradução de Homero (Livros Cotovia), ele traduziu quer a Odisseia quer a Ilíada e considero isso positivo, dota de uma certa consonância as obras, apesar de não sabermos se Homero existiu e se foi apenas um, e, em qualquer dos casos, ele é um tradutor extraordinário. A qualidade da sua tradução advém-lhe, segundo me parece, de um domínio irrepreensível quer da língua de partida quer de chegada, e de não de estar demasiado preocupado em render ao leitor para quem traduz os detalhes da sintaxe grega (se ali temos um genitivo absoluto, ou um caso de uso de particípio suplementar, etc., etc.) mas sim (e sobretudo) a beleza e o sentido do texto grego, buscando os seus equivalentes em português mas mantendo-se fiel à língua de partida.
Outra tradução de um clássico que assinalo como excelente é o trabalho que Paulo Farmhouse Alberto fez, também para a Livros Cotovia, das Metamorfoses de Ovídio. O tradutor fez uma tradução bastante fiel ao latim mas nunca se descurou em relação à língua de chegada. O resultado, para mim, está ao nível do trabalho de Frederico Lourenço na Ilíada e na Odisseia.
Nos antípodas, e não por falta de qualidade dos tradutores, está a tradução da Eneida da Bertrand. É a única tradução portuguesa desta obra que é cientificamente correcta (e que eu conheço, à parte da de Agostinho da Silva), porque é actual e feita a partir da língua original, contudo, num texto que já de si é por natureza intraduzível (como render a beleza de trechos como Ibant obscuri sola sub nocte per umbram?), a juntar a isto, a tradução não ficou confiada a apenas um tradutor e não é em verso. O que estilhaça a beleza de um texto que já de si é muito problemático de traduzir. Ideal seria que a Livros Cotovia contratasse Pierre Ménard para que ele traduzisse para português a obra maior de Vergílio.
Deixo-vos um excerto, link incluído, do artigo sobre Proust:

''Swann's Way'' contains the passages best known to most readers: the haunting bedtime drama of Marcel deprived of his mother's kiss, and especially the conjuring of an entire childhood world, in Combray, which opens, in the manner of compressed Japanese paper flowers that unfold in water, from the madeleine cake dipped into a cup of tea. It includes as well the 200 pages of ''Swann in Love,'' an apparent digression that in fact lays out the path that Marcel must discover if he is to become a writer, if he is to succeed where the aesthete Swann, through a congenital mental laziness, fails. The need for shaping time, and the model for doing so, are adumbrated here by way of Vinteuil's sonata, which provides the paradigm of temporal organization transcending spoken meanings. ''Never,'' the narrator tells us of the sonata, ''had spoken language been such an inflexible necessity, never had it known such pertinent questions, such irrefutable answers.''