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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
mais vos dirá o seco Tucídides, do que o artificioso Xenofonte*
Parece que finalmente acabaram os rumores. No próximo dia 16 de Dezembro, por volta das 18h30, no Museu Calouste Gulbenkian, será lançada a primeira tradução portuguesa, feita a partir do original grego, da (única) obra de Tucídides - História da Guerra do Peloponeso. A tradução foi feita por Raul Miguel Rosado Fernandes e por M. Gabriela P. Granwehr.
Esta notícia em termos futebolísticos equivalerá eventualmente a isto:
*É um verso de Giánnis Ritsos.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Discurso de Péricles
Such was the end of these men; they were worthy of Athens, and the living need not desire to have a more heroic spirit, although they may pray for a less fatal issue. The value of such a spirit is not to be expressed in words. Any one can discourse to you for ever about the advantages of a brave defence, which you know already. But instead of listening to him I would have you day by day fix your eyes upon the greatness of Athens, until you become filled with the love of her; and when you are impressed by the spectacle of her glory, reflect that this empire has been acquired by men who knew their duty and had the courage to do it, who in the hour of conflict had the fear of dishonour always present to them, and who, if ever they failed in an enterprise, would not allow their virtues to be lost to their country, but freely gave their lives to her as the fairest offering which they could present at her feast. [2] The sacrifice which they collectively made was individually repaid to them; for they received again each one for himself a praise which grows not old, and the noblest of all sepulchers—I speak not of that in which their remains are laid, but of that in which their glory survives, and is proclaimed always and on every fitting occasion both in word and deed. [3] For the whole earth is the sepulchre of famous men; not only are they commemorated by columns and inscriptions in their own country, but in foreign lands there dwells also an unwritten memorial of them, graven not on stone but in the hearts of men. [4] Make them your examples, and, esteeming courage to be freedom and freedom to be happiness, do not weigh too nicely the perils of war. [5] The unfortunate who has no hope of a change for the better has less reason to throw away his life than the prosperous who, if he survive, is always liable to a change for the worse, and to whom any accidental fall makes the most serious difference. [6] To a man of spirit, cowardice and disaster coming together are far more bitter than death striking him unperceived at a time when he is full of courage and animated by the general hope.
Tucídides, História da Guerra do Peloponeso, Livro II, §43. Benjamin Jowett (trad.)
quarta-feira, 15 de julho de 2009
História da Guerra do Peloponeso

Ao espanto curioso e por vezes divertido de Heródoto, Tucídides contrapôs uma austeridade, um rigor e uma frieza a quase toda a prova. Uma das coisa que o separa definitivamente do historiador de Halicarnasso é que, ao contrário deste, Tucídides já não é o contador de histórias que circula de terra em terra lendo os resultados das suas inquirições (significado primeiro de histórias). Tucídides torna-se um escritor quando proclama no início do seu livro: Tucídides, o ateniense, escreveu a história da guerra travada entre Atenas e Esparta, começando o seu relato exactamente no início da guerra, pois acreditava que seria um grande conflito e que seria mais importante escrever sobre este do que sobre qualquer um dos outros do passado.
É um homem que se apercebe da magnitude daquilo que está perante si: o fim da prosperidade da Atenas do séc. V, o fim do mundo como o conhecia, e é esse relato que ele pretende legar à prosperidade, é o seu ktêma eis aei, como ele próprio lhe chama. A História da Guerra do Peloponeso é a mais importante fonte que possuímos para a guerra do Peloponeso, que opôs Atenas a Esparta.
O relato é tão frio, tão desapaixonado, que às vezes parece impossível ter sido escrito por um homem que viveu e esteve envolvido numa parte dos acontecimentos que descreve (é Tucídides o estratego que não consegue travar Brásidas em Anfípolis, o que lhe valeria a expulsão de Atenas). Esta característiva de Tucídides é sobretudo visível no relato da peste que grassa em Atenas, a qual vitimou Péricles e pela qual o próprio Tucídides foi contagiado. Admitamos, um homem que narra da forma mais objectiva que se possa conceber uma doença de que sofreu e que era de tal forma terrível que, com o seu avançar, os próprios cães se recusavam a comer os cadáveres, tem de ser tido em alta conta.
Um dos passos em que Tucídides se redime de toda esta sua frieza é no passo da «Oração fúnebre de Péricles» (no final do Livro II), a exaltação última das qualidades do extraordinário mundo que foi o da Atenas do séc. V, discurso colocado na boca de Péricles, sabendo nós que Tucídides não tinha gravador para registar as palavras deste...este discurso é uma das mais notáveis peças de oratória que a Grécia nos legou. Recomendo a leitura da edição da Penguin, é uma excelente tradução bastante fiel ao grego, embora circule uma tradução em português da Sílabo, não é feita a partir da língua original. Existe uma tradução brasileira bilingue da Imfe, mas apenas dos dois primeiros livros. Comparando a relação qualidade/preço a edição da Penguin leva a palma.
Deixo-vos um excerto da «Oração Fúnebre», dedicada aos que foram mortos no primeiro ano da guerra:
(...) Para homens notáveis, toda a terra é a sua sepultura: não são apenas as inscrições nos túmulos dos seus países que nos recordam deles; também em terra estrangeira, não sob qualquer forma visível mas nos corações dos homens, onde a sua memória permanece e prospera. É vosso dever seguir o seu exemplo. Recordem-se que a felicidade depende de se ser livre, e a liberdade depende de se ser corajoso(...)
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É um homem que se apercebe da magnitude daquilo que está perante si: o fim da prosperidade da Atenas do séc. V, o fim do mundo como o conhecia, e é esse relato que ele pretende legar à prosperidade, é o seu ktêma eis aei, como ele próprio lhe chama. A História da Guerra do Peloponeso é a mais importante fonte que possuímos para a guerra do Peloponeso, que opôs Atenas a Esparta.
O relato é tão frio, tão desapaixonado, que às vezes parece impossível ter sido escrito por um homem que viveu e esteve envolvido numa parte dos acontecimentos que descreve (é Tucídides o estratego que não consegue travar Brásidas em Anfípolis, o que lhe valeria a expulsão de Atenas). Esta característiva de Tucídides é sobretudo visível no relato da peste que grassa em Atenas, a qual vitimou Péricles e pela qual o próprio Tucídides foi contagiado. Admitamos, um homem que narra da forma mais objectiva que se possa conceber uma doença de que sofreu e que era de tal forma terrível que, com o seu avançar, os próprios cães se recusavam a comer os cadáveres, tem de ser tido em alta conta.
Um dos passos em que Tucídides se redime de toda esta sua frieza é no passo da «Oração fúnebre de Péricles» (no final do Livro II), a exaltação última das qualidades do extraordinário mundo que foi o da Atenas do séc. V, discurso colocado na boca de Péricles, sabendo nós que Tucídides não tinha gravador para registar as palavras deste...este discurso é uma das mais notáveis peças de oratória que a Grécia nos legou. Recomendo a leitura da edição da Penguin, é uma excelente tradução bastante fiel ao grego, embora circule uma tradução em português da Sílabo, não é feita a partir da língua original. Existe uma tradução brasileira bilingue da Imfe, mas apenas dos dois primeiros livros. Comparando a relação qualidade/preço a edição da Penguin leva a palma.
Deixo-vos um excerto da «Oração Fúnebre», dedicada aos que foram mortos no primeiro ano da guerra:
(...) Para homens notáveis, toda a terra é a sua sepultura: não são apenas as inscrições nos túmulos dos seus países que nos recordam deles; também em terra estrangeira, não sob qualquer forma visível mas nos corações dos homens, onde a sua memória permanece e prospera. É vosso dever seguir o seu exemplo. Recordem-se que a felicidade depende de se ser livre, e a liberdade depende de se ser corajoso(...)
(Livro II, § 43)
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