Como conchas em torno do silêncio.
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domingo, 1 de maio de 2011
quinta-feira, 15 de julho de 2010
sábado, 2 de janeiro de 2010
Último livro comprado em 2009. Primeiros livros comprados em 2010: este, este, este e este. Primeiro livro que me chegou às mãos em 2010. O último livro que ficou lido em 2009 foi Ideia da Prosa. Os livros que estou a ler desde o ano passado são Ulisses e Odes (de Horácio).
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
sábado, 26 de dezembro de 2009
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
For the happiness of many

(ou mais especificamente de mim e do outro elemento do meu agregado familiar) há uns dias finalmente disponível ao vivo, na estante de poesia portuguesa que há cá em casa.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
11
Sometimes your blood froze like the moon
in the limitless night your blood
spride its white wings over
the black rocks, the shapes of trees and houses,
with a little light from our childhood years.
in the limitless night your blood
spride its white wings over
the black rocks, the shapes of trees and houses,
with a little light from our childhood years.
George Seferis, Collected Poems (1922 - 1955), Edmund Kelley e Philip Sherrard (trad., ed., e intr.), Princeton University Press, 1971.
(Livro acabado de chegar, o carteiro deixou-o plantado à porta de casa.)
(Livro acabado de chegar, o carteiro deixou-o plantado à porta de casa.)
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
sábado, 7 de novembro de 2009
As Traduções de David Mourão-Ferreira
Entre os números 163 a 165 a Colóquio-Letras encarregou-se de criar uma série que reúne as diferentes traduções de poesia de David Mourão-Ferreira. A série intitula-se Vozes da Poesia Europeia (I,II e III) e reúne um largo número de poetas. De Homero a Valery passando por Antonio Machado (este era aquele poeta espanhol que também criou uma série de personalidades literárias muito semelhante aos heterónimos de Pessoa) ou Rilke ou (poesia atribuída a) Poliziano.
Do número 163 ao 165 viajamos em diacronia pelas diferentes vozes poesia europeia que David Mourão-Ferreira quis traduzir, começando na antiguidade e terminando no séc. XX.
Trata-se de mais um daqueles casos em que a selecção antológica vale a pena não só pelo número de poetas que reúne mas também para observarmos as decisões do tradutor/organizador.
Os números contam com ilustrações de Nuno Veigas.
Do número 163 ao 165 viajamos em diacronia pelas diferentes vozes poesia europeia que David Mourão-Ferreira quis traduzir, começando na antiguidade e terminando no séc. XX.
Trata-se de mais um daqueles casos em que a selecção antológica vale a pena não só pelo número de poetas que reúne mas também para observarmos as decisões do tradutor/organizador.
Os números contam com ilustrações de Nuno Veigas.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Antologias
Duas antologias de poesia em língua inglesa que me parecem altamente recomendáveis: uma é esta, que reúne alguns dos poemas favoritos de Ted Hughes e Seamus Heaney, é interessante pela selecção de poemas em si mas também pelo gesto antológico dos seus organizadores (os supra-citados).
A outra é esta, embora com um âmbito mais específico do que a primeira, reúne uma série de poetas irlandeses e é a tentativa do seu organizador, Yeats, de fixar uma tradição de poesia irlandesa. Desta antologia recomendo a (re)edição da Routdlege, que é recente e relativamente fácil de encontrar. Da primeira, a edição da Faber & Faber serve.
A outra é esta, embora com um âmbito mais específico do que a primeira, reúne uma série de poetas irlandeses e é a tentativa do seu organizador, Yeats, de fixar uma tradição de poesia irlandesa. Desta antologia recomendo a (re)edição da Routdlege, que é recente e relativamente fácil de encontrar. Da primeira, a edição da Faber & Faber serve.
sábado, 24 de outubro de 2009
[I Step Outside Myself]
I step outside
myself, out of my eyes,
hands, mouth, outside
of myself I
step, a bundle
of goodness and godliness
that must make good
this devilry
that has happened
myself, out of my eyes,
hands, mouth, outside
of myself I
step, a bundle
of goodness and godliness
that must make good
this devilry
that has happened
Ingeborg Bachmann, Darkness Spoken: The Collected Poems, Peter Filkins (trad.), Charles Simic (intr.), Zephyr Press, 2006.
Chegado ontem da América (mas já não sei ao certo de que cidade), com um atraso de um mês, este livro muito esperado.
Chegado ontem da América (mas já não sei ao certo de que cidade), com um atraso de um mês, este livro muito esperado.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Elegiac Feelings American

Chegou cá a casa ontem. Pertencia a uma biblioteca pública em Washington, a Port Washington Library.
P. S.: Sou eu a única pessoa que acha Gregory Corso muito parecido com Marcello Mastroianni?
P. S.: Sou eu a única pessoa que acha Gregory Corso muito parecido com Marcello Mastroianni?
domingo, 11 de outubro de 2009
Nenhum Poeta Moderno
Nenhum poeta moderno é unitário, quaisquer que sejam as suas aspirações professadas. Os poetas modernos são necessariamente dualistas infelizes, porque esta infelicidade, esta pobreza, é o ponto de partida da sua arte - Stevens fala adequadamente da «poesia profunda dos pobres e dos mortos». A poesia pode ou não proporcionar a salvação a um homem, mas aproxima-se daqueles em extrema necessidade de imaginação, ainda que possa então aparecer como terror. Tal necessidade é apreendida pela primeira vez mediante a experiência que o jovem poeta ou o efebo têm de outro poeta, do Outro cuja gratidão nociva é aumentada pelo facto de o efebo o ver como um brilho ardente contra uma moldura de escuridão, um pouco como o bardo da experiência de Blake vê o Tigre, ou Job Levianthan e Behemot, ou Ahab a Baleia Branca, ou Ezequiel o Querubim Protector.
Harold Bloom, A Angústia da Influência: Uma Teoria da Poesia, Miguel Tamen (trad.), 1991.
Lembro-me que aos 17, quando pela primeira vez li este livro, o detestei e não percebi quase nada. Que odiei a terminologia com que Bloom falava da poesia, uma terminologia em parte baseada nas personagens do Paradise Lost de Milton, em termos como «o poeta forte», o «poeta fraco». Há pouco tornei a pegar nele. Constato com muita pena que aos 17 não era tão inteligente como me julgava. O senhor que tem um fato cor de canário (circulava há uns tempos na net uma fotografia de Bloom com um fato amarelo e gravata verde) parece-me ter produzido neste ensaio uma extraordinária (ergo muito relevante) história da génese da poesia, justamente naquilo que esta génese é mais angustiante para um jovem poeta: no ponto em que ele se coloca numa confluência de tradições que o influenciam e contra as quais reage ou que abertamente acolhe. Como se aceita (ou nega) determinada tradição? o que fará um jovem poeta um extraordinário poeta e que características nos permitirão (eventualmente) ver se este será um poeta menor? Sobretudo, o que é a poesia em relação ao poeta? Como lidar com o que nos precede, como lidar com a angústia da influência?
Harold Bloom, A Angústia da Influência: Uma Teoria da Poesia, Miguel Tamen (trad.), 1991.
Lembro-me que aos 17, quando pela primeira vez li este livro, o detestei e não percebi quase nada. Que odiei a terminologia com que Bloom falava da poesia, uma terminologia em parte baseada nas personagens do Paradise Lost de Milton, em termos como «o poeta forte», o «poeta fraco». Há pouco tornei a pegar nele. Constato com muita pena que aos 17 não era tão inteligente como me julgava. O senhor que tem um fato cor de canário (circulava há uns tempos na net uma fotografia de Bloom com um fato amarelo e gravata verde) parece-me ter produzido neste ensaio uma extraordinária (ergo muito relevante) história da génese da poesia, justamente naquilo que esta génese é mais angustiante para um jovem poeta: no ponto em que ele se coloca numa confluência de tradições que o influenciam e contra as quais reage ou que abertamente acolhe. Como se aceita (ou nega) determinada tradição? o que fará um jovem poeta um extraordinário poeta e que características nos permitirão (eventualmente) ver se este será um poeta menor? Sobretudo, o que é a poesia em relação ao poeta? Como lidar com o que nos precede, como lidar com a angústia da influência?
sábado, 10 de outubro de 2009
O Melhor Amigo da «Recherche»

Para quem (como eu) anda a ler Em Busca do Tempo Perdido de Proust, este é um excelente livro para acompanhar a leitura. Um «visual companion». Como se explica, [t]his lavishly illustrated and comprehensive guide celebrates the close relationship between the visual and literary arts in Proust’s masterpiece. E pronto, resta acrescentar que a Thames and Hudson é uma das minhas editoras de artes visuais favoritas.
domingo, 4 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Uma grande biblioteca (a de Alexandria)
À morte de Alexandre, o império que ele tinha reunido é repartido pelos seus generais. Ptolemeu, o filho de Lago, que mais tarde receberá a alcunha de Soter (o «Salvador»), em parte para o distinguir dos restantes elementos da dinastia por ele fundada, fica com uma das melhores partes do império, o Egipto.
A Alexandria que Alexandre aqui fundara (existiam várias «Alexandrias» por ele fundadas) era uma das cidades mais encantadoras do mundo, e Ptolemeu, que era um homem dado às letras (dele é uma biografia de Alexandre), resolve converter Alexandria no centro do mundo mediterrânico. Um dos principais pontos da execução deste plano passava por converter Alexandria num centro cultural.
Resolve para isso ir buscar o sábio mais reputado do seu tempo, um tal de Teofrasto, discípulo de Aristóteles, que, morto o mestre, ficara à frente do Liceu. Mas Teofrasto não estava para aí virado, nem a oferta do seu peso em ouro o poderia demover de abandonar Atenas.
Sucede que havia um discípulo de Teofrasto, por sinal bastante talentoso, que se viu a braços com a justiça ateniense por ter posto a mão onde não devia, ou seja, em dinheiros públicos. Chamava-se este discípulo Demétrio de Falero, outro ateniense (Falero era o outro porto de Atenas, além do Pireu). Uma vez que o problema de Demétrio era dinheiro, Ptolemeu oferece-lhe a solução. Em 297 a. C., Demétrio foge de Atenas.
Com recursos ilimitados, Demétrio planeia um programa cultural que viria a perdurar por três séculos. Este programa previa a instituição, entre outras coisas, de um Museu e de uma Biblioteca. Museu não é no sentido que hoje em dia lhe damos, corresponderia, mais ou menos, a uma espécie de centro de estudos, para onde gradualmente foram sendo desviados os homens mais brilhantes daquele tempo.
A analogia que melhor descreve a essência deste complexo planeado por Demétrio é a comparação com Cambridge ou Oxford (mas sem a vertente do ensino, apenas a da investigação). A Biblioteca seria sobretudo uma biblioteca de conservação e de apoio à investigação, a ideia era reunir no mesmo espaço todos os livros alguma vez produzidos.
A Biblioteca de Alexandria é a lendária biblioteca da Antiguidade, nela se estabeleceu a maior parte do cânone da literatura antiga, nela se começou a fazer de forma sistemática aquilo que actualmente corresponderia aos nossos estudos filológicos e literários, ao mesmo tempo que novas formas de literatura floresceram.
Este imenso complexo, com uma intensa vida académica, teve apenas uma rival, e pouco feroz, se comparada com ela: a capital dos Atálidas, Pérgamo.
O que me impressiona quando penso na Biblioteca de Alexandria, além da frustração que causa a qualquer filólogo pensar em tudo quanto lá se perdeu, são os números. Quando Ptolemeu Filadelfo (sucessor do Soter, a alcunha deste significa algo como «aquele que ama a irmã») ascendeu ao trono, a biblioteca tinha duzentos mil volumes. Quando Calímaco (sim, é esse Calímaco) se torna o bibliotecário responsável, o número de volumes ascendia a quatrocentos mil. Quando se dá o primeiro incêndio, em 48 a. C., a Biblioteca tinha setecentos mil volumes. Bastante impressionante.
A Alexandria que Alexandre aqui fundara (existiam várias «Alexandrias» por ele fundadas) era uma das cidades mais encantadoras do mundo, e Ptolemeu, que era um homem dado às letras (dele é uma biografia de Alexandre), resolve converter Alexandria no centro do mundo mediterrânico. Um dos principais pontos da execução deste plano passava por converter Alexandria num centro cultural.
Resolve para isso ir buscar o sábio mais reputado do seu tempo, um tal de Teofrasto, discípulo de Aristóteles, que, morto o mestre, ficara à frente do Liceu. Mas Teofrasto não estava para aí virado, nem a oferta do seu peso em ouro o poderia demover de abandonar Atenas.
Sucede que havia um discípulo de Teofrasto, por sinal bastante talentoso, que se viu a braços com a justiça ateniense por ter posto a mão onde não devia, ou seja, em dinheiros públicos. Chamava-se este discípulo Demétrio de Falero, outro ateniense (Falero era o outro porto de Atenas, além do Pireu). Uma vez que o problema de Demétrio era dinheiro, Ptolemeu oferece-lhe a solução. Em 297 a. C., Demétrio foge de Atenas.
Com recursos ilimitados, Demétrio planeia um programa cultural que viria a perdurar por três séculos. Este programa previa a instituição, entre outras coisas, de um Museu e de uma Biblioteca. Museu não é no sentido que hoje em dia lhe damos, corresponderia, mais ou menos, a uma espécie de centro de estudos, para onde gradualmente foram sendo desviados os homens mais brilhantes daquele tempo.
A analogia que melhor descreve a essência deste complexo planeado por Demétrio é a comparação com Cambridge ou Oxford (mas sem a vertente do ensino, apenas a da investigação). A Biblioteca seria sobretudo uma biblioteca de conservação e de apoio à investigação, a ideia era reunir no mesmo espaço todos os livros alguma vez produzidos.
A Biblioteca de Alexandria é a lendária biblioteca da Antiguidade, nela se estabeleceu a maior parte do cânone da literatura antiga, nela se começou a fazer de forma sistemática aquilo que actualmente corresponderia aos nossos estudos filológicos e literários, ao mesmo tempo que novas formas de literatura floresceram.
Este imenso complexo, com uma intensa vida académica, teve apenas uma rival, e pouco feroz, se comparada com ela: a capital dos Atálidas, Pérgamo.
O que me impressiona quando penso na Biblioteca de Alexandria, além da frustração que causa a qualquer filólogo pensar em tudo quanto lá se perdeu, são os números. Quando Ptolemeu Filadelfo (sucessor do Soter, a alcunha deste significa algo como «aquele que ama a irmã») ascendeu ao trono, a biblioteca tinha duzentos mil volumes. Quando Calímaco (sim, é esse Calímaco) se torna o bibliotecário responsável, o número de volumes ascendia a quatrocentos mil. Quando se dá o primeiro incêndio, em 48 a. C., a Biblioteca tinha setecentos mil volumes. Bastante impressionante.
Os Livros de Fotografia da «Magnum»
São realmente «some of the most collectible and cherished books in the world». A Magnum é uma espécie de «cooperativa» fotográfica que pertence aos seus membros, foi fundada por Cartier-Bresson, Robert Capa, «Chim» Seymour e George Rodger, em 1947. A sua biblioteca, disponível aqui, é exactamente aquilo que no site lhe chamam: um arquivo vivo, actualizado diariamente, com fotografias de todas as partes do globo. Para um fotógrafo, entrar para a Magnum é mais ou menos como entrar no cânone.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Disponibilidade de atenção
Quarenta páginas disto para ler até às seis da tarde e o meu sono não entra em consenso com a minha disponibilidade de atenção. Um dia ainda vos conto a história que este livro conta, é bem engraçada.
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