sábado, 25 de setembro de 2010

Fevereiro. Os hectares da memória 
estão vazios. O futuro já passou 
há anos. Mas agora também o passado. 
(Levaste-o contigo). A luz de inverno

torna os factos duros. O mar ofende tudo à volta 
O vento estala. O frio é audível. 
A língua fica presa, já não sei das palavras. 
Congela-se em sílabas fechadas.

Nada. E ver. 
O vazio claro, como muito para além da vírgula 
nas divisões do número dez.

Herman de Coninck, Os Hectares da Memória, Nuno Júdice (rev., tradução colectiva), Quetzal Editores, Mateus, 1994.

1 comentário:

  1. Este poema tentou-me a comprar o livro mas parece que está esgotado...

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