Mostrar mensagens com a etiqueta Trivia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Trivia. Mostrar todas as mensagens

sábado, 10 de outubro de 2009

Por Linhas Tortas

(1) "some emotions burn so clean some fires don't need gasoline"
(2) qual era a linguagem do seres humanos na antiguidade
(3) chicote + fortinbras

(Isto é mais ao menos um top de gente que chega aqui de maneira estranha. Ideia para semelhante top gamada daqui.)

sábado, 26 de setembro de 2009

Ameaça

Amanhã vou fazer uma visita à livraria da esquina. E isto volta comigo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Οὗτος ὁ μῦθος δηλοῖ ὅτι

Graças à errata do Miguel, informado por e-mail de Hugo Santos, já posso ir à procura dos gregos modernos que me faltam. Ou seja, Yorgos Seferis, Sombras Oblíquas, de Demosthenes Agraphiotis, e A Outra Versão, de Rasos Denegris (se é que ainda é possível encontrar estas duas últimas obras).
Louvada Sejas (de Odysséas Elitis) foi adquirido ontem, no sítio que vocês já sabem, a um preço muito convidativo. E, para terminar com uma linha à Esopo, oὗτος ὁ μῦθος δηλοῖ ὅτι (reminiscência do meu grego elementar II, qualquer coisa como: esta fábula mostra que) blogues ligados à divulgação de e sobre livros ajudam a informar com maior facilidade gente que por eles se interessa e, eventualmente, a formar melhores leitores.

O Inimigo

Foi medonha tormenta a minha mocidade,
Aqui e além cortada por brilhantes sóis;
A chuva e os trovões fizeram tais estragos
Que poucos frutos rubros no jardim me sobram.

E eis-me já em pleno outono das ideias,
quando é preciso usar os ancinhos e a pá
Pra arranjar outra vez a terra, após a cheia,
Onde a água escavou, quais tumbas, grandes valas.

E quem sabe se as flores que eu sonho, renovadas,
Poderão encontrar nessa areia lavada
O místico alimento que lhes dê vigor?

Ó dor! Ó minha dor! O tempo engole a vida,
E o que nos rói o peito, esse obscuro Inimigo,
Com o sangue que perdemos cresce e ganha força!

Charles Baudelaire, As Flores do Mal, Fernando Pinto do Amaral (trad.), Assírio e Alvim, 1992.

Este livro é que já não se encontra, nem na feira do livro manuseado. Mas já o re-imprimiam (já nem estou a pedir uma nova edição). Há uma nova geração de leitores de Baudelaire que não lê francês no original e quer muito ter o livro na estante.

FLUL

E hoje é o dia da minha sexta matrícula na FLUL. Ainda sou do tempo em que os anfiteatros se enchiam das sete às oito da tarde para ouvir o professor Arnaldo Espírito Santo ensinar Latim. Ainda sou do tempo em que os dicionários de Latim num sábado de manhã em fim de semestre eram uma enorme mancha cor-de-laranja a sair do metro, e eu a diluir-me no meio deles, com o meu dicionário cor-de-laranja, que com o avançar dos níveis passou de dicionário de Latim-Português para Latim-Francês (que cobre, tanto quanto possível, o Latim Medieval, coisa que o de português não faz). Os exames de Latim faziam-se num sábado de manhã, e havia sempre muito copianço no anfiteatro. (Era divertido.) Ainda sou de um tempo antes de Bolonha, o que implicou vantagens e desvantagens para a minha formação. Sou daqueles que começaram a estudar num curso (chamava-se Línguas e Literaturas Clássicas) e acabaram licenciados noutro, Estudos Clássicos.
Três anos de licenciatura, um ano a fazer cadeiras no DLR, um ano de mestrado em clássicas, basicamente o meu curriculum uitae. A minha história pessoal cresceu muito em torno desta espinha dorsal. Hoje é a minha sexta matrícula na FLUL.
Todos os anos há mudanças, mas dou-me conta de que a maior parte dos colegas que ingressou comigo também ainda lá estuda, alguns no seu departamento de origem, outros foram fazer um mestrado a outro departamento. Muitos colegas falam de eventualmente tirarem outro curso, que não em letras. Eu também tirava um curso outra vez. Mas fico sempre indecisa quando penso nisso. Em vez de ter bom senso (e talvez mudar-me para a faculdade em frente), se tirasse outro curso estaria indecisa entre Estudos Eslavos ou Italianos.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Terminar o Dia


Desligar o computador. Depois ir terminar o dia. A música chama-se Seven Day Mile e é uma versão dela que toca no final do primeiro episódio da sexta série de House MD, versão dos The Frames.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Les Fleurs du Mal, Baudelaire






















Por vezes temos histórias com livros que nunca lemos. É o meu caso com As Flores do Mal de Baudelaire. Comprei este livro em francês, exactamente na edição cuja imagem está representada acima. Tem andado de estante em estante e de mesa em mesa (entre mudanças de casa) há três ou quatro anos. Na altura em que o adquiri achava que sabia suficiente francês para o ler no original. Mas o livro de Baudelaire ensinou-me uma lição que me deixou melindrada. O meu francês chega para ler, digamos, André Gide (La Symphonie Pastoral, por exemplo) mas não Baudelaire. Não é que seja particularmente difícil, é que há certa poesia que exige uma concentração e uma disponibilidade que a prosa não pede, e uma leitura feita numa língua que não dominamos redobra a dificuldade. (Eu pertenço a uma geração que domina a língua inglesa mas na qual o conhecimento do francês tende a tornar-se bastante residual, e é pena.)
Hoje, três ou quatro anos depois de ter comprado Les Fleurs du Mal, fui até à biblioteca e requisitei a edição da Assírio e Alvim. Durante muito tempo procurei adquirir esta edição, nunca a encontrei e creio que está esgotada (em 1992, quando esta tradução saiu eu tinha seis anos, estava a aprender a ler e ainda não me interessava por Baudelaire).
Finalmente vou ler Les Fleurs du Mal.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

domingo, 20 de setembro de 2009

Não há risco

Como um amigo meu explicava, é à vontadinha. Na quinta-feira comprei na livraria da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (famosa por nunca ter nada desde que nós andemos à procura de alguma coisa) os Collected Poems de Allen Ginsberg (em edição da Harper) e os Cinquenta Poemas de Ian Hamilton (Livros Cotovia).
Seguindo o itinerário lógico, dirigi-me da livraria ao bar para ir beber um café antes de voltar para a biblioteca. Como os livros não cabiam dentro da mochila, pousei-os em cima da mesa. Encontro uns colegas e pomo-nos à conversa. Saio com eles, e quando estou já a chegar à biblioteca, percebo que não tenho os livros comigo. Entrei em pânico. Enquanto mentalmente me insulto, volto atrás, penso, para verificar o óbvio: os livros teriam desaparecido. Qual quê!
Estão lá, sozinhos, com uma turba indiferente a jogar às cartas sentada ao lado deles. Fiquei mesmo contente. Mas ao pegar neles, senti uma certa melancolia. Não é que não haja «ladrões» de ocasião na Faculdade de Letras, já me roubaram algumas coisas: barras de cereais, lápis, um caderno novo, tudo objectos deixados em cima da mesa biblioteca enquanto vou lá abaixo beber um café. Mas nunca livros. Isto sucede porque a maior parte dos estudantes da Faculdade de Letras não quer saber de livros para nada. Tenho a certeza que não conheci mais de quinze leitores (não contando com professores) a sério em cinco anos de estudante (dois de investigadora) nesta faculdade.
Até me podiam ter levado o Ginsberg e o Hamilton, eu ia ficar chateada, claro, mas ia compreender. Isto mostra que para a maior parte dos meus colegas o livro é uma coisa inútil, não uma tentação. Penso antes que tive sorte, nenhum dos quinze leitores que conheço se sentou por ali àquela hora. Se não agora não me estava para aqui a lamentar de ninguém me ter roubado os livros, mas sim a escrever uma invectiva contra o ladrão em causa. E talvez fosse mais divertido.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Charles Simic, «A Century of Gathering Clouds»

A century of gathering clouds. Ghost ships arriving and leaving. The sea deeper, vaster. The parrot in the bamboo cage spoke several languages. The captain in the daguerreotype had his cheeks painted red. He brought a half-naked girl from the tropics whom they kept chained in the attic even after his death. At night she made sounds that could have been singing. The captain told of a race of men without mouths who subsisted only on scents of flowers. This made his wife and mother say a prayer for the salvation of all the unbaptized souls. Once, however, we caught the captain taking off his beard. It was false! Under it he had another beard equally absurd looking.
It was the age of busy widows' walks. The dead languages of love were still in use, but also much silence, much soundless screaming at the top of the lungs.

Charles Simic, Previsão de Tempo para Utopia e Arredores, José Alberto Oliveira (selecção e tradução), Assírio e Alvim, 2002.


***

Requisitei este livro hoje, na biblioteca da faculdade, não estava disponível na livraria e a requisição resolve, pelo menos momentaneamente, a minha curiosidade de ler alguma coisa deste poeta. Sei que há um outro livro dele disponível na referida biblioteca. (Chama-se A Wedding in Hell de 1994, tem por cota 821.111(73) SIM,C-CAM , mas não encontrei o livro na estante, embora não haja indicação de estar requisitado.). Na sua «Introdução», José Alberto Oliveira escreveu:

Tentarei, brevemente, distinguir alguns traços da obra poética de Simic: a ironia e o sentido de humor; a construção de poemas com o fôlego da melhor ficção e o rigor do verso; a convicção de que a poesia é também uma conversa inteligente e inteligível, formulando perguntas que têm como resposta o silêncio - o silêncio mais profundo, como convite ao leitor para sorrir e estremecer.

domingo, 6 de setembro de 2009

Alberto Durero



















Há dois anos estive em Bilbao. Fui ao Guggenheim. À entrada um grande cartaz anunciava a exposição de um tipo de quem nunca tinha ouvido falar: um tal de Alberto Durero. Pensei: «Bom, vamos lá ver a exposição deste espanhol vagamente desconhecido.» Quando entrei e comecei a ver as obras expostas pareceu-me reconhecer o estilo de algum lado. Não levei muito tempo a dar com o famoso desenho das mãos e a comprovar, pela tradução inglesa das legendas, que efectivamente se tratava de uma exposição de Albrecht Dürer.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

All All and All the Dry World's Lever (II)

Fear not the working world, my mortal,
Fear not the flat, synthetic blood,
Nor the heart in the ribbing metal.
Fear not the tread, the seeded milling,
The trigger and scythe, the bridal blade,
Nor the flint in the lover's mauling.

Man of my flesh, the jawbone riven,
Know now the flesh's lock and vice,
And the cage for the scyte-eyed raver
Know, O my bone, the jointed lever,
Fear not the screws that turn the voice,
And the face to the driven lover.

Dylan Thomas, The Collected Poems of Dylan Thomas: 1934 - 1952, New Directions Books, 1971.

Chegou-me a casa na sexta-feira este livro, fedorento, pegajoso e ligeiramente rasgado na lombada. Porém, sem apontamentos à margem (que é coisa que muitas vezes me diverte, tenho uma edição do T.S. Eliot apontada por alguém que penso ter sido actor e declamado aquilo, está cheio de indicações do tipo cénico - subir a voz, baixar a voz, dar um passo em frente, etc.) e com uma letra larga, com algum espaçamento entre versos, o que o torna bastante legível. Veio da América, de S. Francisco, por avião.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Grandes livros, críticos completamente obtusos

Sobre o livro de F. Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby, escreveu em tempos um crítico do New York Herald Tribune: «o que nunca esteve vivo dificilmente poderá continuar a viver. Por isso, este é um livro de uma só estação.»
É tramado um tipo escrever um livro absolutamente genial e ser lido por um crítico deste calibre. Mais críticos brilhantes (ironicamente falando)aqui. Via Blogtailors.

Pergunto-me o que leva certos críticos a escrever este tipo de pérolas tendo em mãos um livro fantástico. Por vezes, pode ser por se tratar de uma obra de um autor jovem e desconhecido, que não distribuiu apertos de mão e simpatia pelos críticos responsáveis de secções de livros certos, porque não pôde, porque não quis ou porque achou que não precisava. O seu livro pode ser genial, ou pelo menos conter uma centelha de génio, mas um crítico estúpido (nem é necessário ser exigente ou pouco generoso) dirá: «é melhor esperar mais uns aninhos, ver para que lado cai a maçã.»
Pode tratar-se de um autor consagrado, e aí dar-se o (infeliz) caso de os complexos de inferioridade do escritor frustrado que habitam o crítico literário não lhe permitirem dar a mão à palmatória (indesculpável, improvável, mas possível).
O que faz um bom crítico literário, em minha opinião, em primeiro lugar, é ler muito, diacrónica e sincronicamente, ler literatura e (literatura) sobre literatura. Antes de ser crítico ser estudioso. Mas isto não basta. É necessário que tenha um estilo sólido e fluente, de quem nos leva pela mão. Informar-se sobre o que vai ler (antes ou depois de ter lido, é-me indiferente), mas seguramente antes de escrever a sua crítica: observar se existe uma estética vigente quando determinado autor produziu determinada obra, como foi recebida, se influenciou ou não os seus contemporâneos (se existirem dados que permitam esta pesquisa), este tipo de coisas. E, sobretudo, ter um bom sentido estético, que lhe permita avaliar com alguma objectividade (a possível) o texto que tem em mãos.
No fundo, acho que o crítico literário ideal é aquele que é crítico porque é leitor e não que é leitor por ser crítico. E não estou a dizer que existem autores intocáveis para a crítica e para os críticos, mas creio que quem lê Anna Karénina e diz que é lixo sentimental, bom... (grande besta).

Jogo de Xadrez


















Na fotografia: Man Ray e Marcel Duchamp a jogar xadrez (fotografia de Man Ray).

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Uma livraria em Lisboa

Em Lisboa desenvolvi, ao longo dos anos (poucos) em que cá vivo, uma estranha predilecção por uma livraria com tendências de alfarrabista em que, sempre que o livreiro me pergunta o que procuro, tenho a impressão que, dependendo da resposta, ele vai sacar da caçadeira que (aposto) guarda debaixo do balcão e pedir-me não muito educadamente para sair.
Em tempos um colega levou lá um primo a quem, quando este se preparava para comprar determinado livro, o livreiro disse que aquilo não era para ele e que não lho vendia. Um vendedor zeloso em relação à sua mercadoria, portanto.
Pergunta-se o leitor deste post o que diabo pode haver de agradável num espaço em que o proprietário nem sempre é afável com estudantes de literatura parasitas e semi-adolescentes (tipo eu) que lá vão animar-lhe o negócio e eu respondo: lá sempre encontrei livros que raramente aparecem noutros sítios e não sei como vão lá parar, mas o facto é que se encontram ali, às vezes muito à mão de semear. A livraria não é meramente alfarrábio, pelo que também se vendem as novidades editoriais.
Para terem uma noção da categoria, foi nesta livraria que pela última vez tive notícia da tradução portuguesa de um livro chamado From Vergil to Milton, de C. M. Bowra (Sir Cecil Maurice Bowra, reputado classicista que neste livro dedica um brilhante ensaio aos Lusíadas). E não, o livreiro não olhou para mim e não me perguntou com um ar espantado: quer o quê? Limitou-se a responder-me: há um ano ou dois vendi o último, talvez volte a aparecer entretanto. O único defeito que aponto à livraria é que por vezes é um pouco lenta em termos de venda de novidades editoriais.
Não há um café ou um espaço para ficar na conversa, como (mais ou menos agradavelmente) se tem tornado prática em algumas das livrarias de Lisboa que considero que têm qualidade em termos dos seus catálogos, como por exemplo a Bulhosa de Entrecampos, a Barata de Roma, ou a Trama do Rato.
Esta livraria agrada-me porque não é (nem nunca será) um supermercado de livros e porque, creio, é das últimas livrarias em Lisboa que me parece pensada para estudantes de literatura (pelo sólido acervo de textos literários e sobre literatura que possui), coisa que, convenhamos, a livraria da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, pelo menos para mim, nunca foi. Isto não só porque os seus responsáveis não percebem rigorosamente nada de literatura (ou se percebem disfarçam bem) e porque, espantem-se, a larga maioria dos estudantes de letras da capital lê muito pouco, o que não ajuda ao dinamismo comercial na livraria de Letras.

P.S.: A livraria é a Lácio (Campo Grande, 111, 1700-089 Lisboa).

terça-feira, 28 de julho de 2009

A Ilíada

Há vários livros de que gosto muito. Mas a Ilíada é o livro da minha vida. Em 2005, acabada de chegar à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa para estudar Clássicas e enquanto esperava que saísse a (excelente) tradução do Professor Frederico Lourenço, que saíu nesse mesmo ano de 2005, comprei uma edição da Hachette Illustrated para poder ir vendo a iconografia relacionada com a obra.
Esta edição da Hachette reproduz alguma da vasta iconografia relacionada com a Ilíada e com a Odisseia e também alguma parte do texto de ambas as obras. Mesmo tendo traduzido alguns cantos a partir do original, o que me levou, muitas horas e algum sofrimento depois, a decorar acidentalmente um ou outro passo mais ou menos como está no grego, e mesmo tendo muitos passos em português guardados na cabeça, não sei porquê, a minha memória dos vv. 338 - 343 do canto IX é em inglês e desse mesmo livro da Hachette. É uma estranha estranha fala de um dos maníaco-depressivos mais famosos de todos os tempos. Neles diz Aquiles:

Why hath he assembled/ And led an army here, this son of Atreus?/Why, was it not for fine-haired Helen's sake?/ Are Atreu's sons alone of living men/ To love their wives? No, every good sound man/ Loveth his own and cared for her, as I -/ I also, loved mine own with my heart, / Though she was but the captive of my spear*.

Paul Demont (Org.), Troy: The Iliad and the Odyssey, Hachette Illustrate, Hachette, 2004.
*A tradução do texto, incluída no livro, é de William Marris, tradutor da edição da Ilíada de 1934 da Oxford University Press.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A minha imagem mental de escritor é a de Jorge de Sena, ainda menino, cabeça encostada contra as teclas do piano, com o seu papagaio verde ao lado e tocando devagar as teclas. A minha imagem mental de poeta é a descrição que Jorge de Sena faz do momento em que pela primeira vez escutou a La Cathédral Engloutie de Débussy ou a primeira aparição do poema como narrada em Sinais de Fogo.