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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Rapariga de olhar vivo

Da sagrada Tebas, da Plácia de fontes perenes, Heitor
e os seus homens trazem, nas suas naus pelo mar salgado,
Andrómaca, rapariga de olhar vivo e delicada. Trazem muitas
pulseiras de ouro e perfumadas vestes cor de púrpura,
brinquedos vários, numerosas taças de prata e marfim.

Excerto do fragmento 44 de Safo.

Versão minha a partir da edição crítica de Eva-Maria Voigt (Amsterdão 1971).

domingo, 20 de novembro de 2011

Fragmento 39 de Safo

<...> variegadas faixas
cobrem os pés,
o belo trabalho lídio <...>

.. πόδας δὲ
ποίκιλος μάσλης ἐκάλυπτε,
Λύδιον κάλον ἔργον.

Tradução minha, a partir da edição crítica de Eva-Maria Voigt (Amsterdão, 1971).

***
Este fragmento conservou-se porque - se não me falha a memória - é mencionado num escólio a Aristófanes, como exemplo de que os Lídios eram artesãos famosos já no tempo de Safo. Uma imagem de sandálias bonitas, sinal talvez de uma condição elevada, escolha de calçado feita talvez por uma mulher elegante ou ponderada, tudo o que de um poema se salvou.

sábado, 19 de novembro de 2011

Fragmento 24a de Safo

<...>
tu irás recordar-te
porque em conjunto na juventude
fizemos estas coisas

muitas belas coisas
<...>
<...>

Tradução minha, a partir da edição crítica de Eva-Maria Voigt (Amsterdão, 1971).

sábado, 22 de outubro de 2011

Frag. 31 de Safo

Parece-me igual aos deuses
esse homem que diante de ti
se senta e de perto escuta o teu
conversar doce

e o teu riso amável, isso faz
o coração tremer-me no peito
porque quando te vejo, ainda que por um instante, não
me resta um fio de voz,

não: a língua paralisa-se, corre
um fogo ténue sob a pele,
nos olhos nenhuma imagem, um latejar
nos ouvidos,

apodera-se de mim o suor e transpiro, um tremor
toma-me completamente, torno-me mais verde
do que erva, morro ou assim
me parece.

Mas tudo deve ser ousado, porque †mesmo um homem pobre†
<...>

Versão minha, a partir da edição crítica do texto grego fixado por Eva-Maria Voigt (Amsterdão, 1971). Este poema foi, por diversas vezes, traduzido entre nós, as duas versões que mais destacaria são as de Eugénio de Andrade (que não é feita a partir do original) e de Frederico Lourenço.
Não as confrontei quando fiz a minha tradução, mas sei que coincidiremos em algumas das soluções. Os maiores desvios que tive de fazer em relação ao grego encontram-se nos dois últimos versos da segunda estrofe e no primeiro verso da penúltima estrofe. Não me apetece explicar como cometo estas duas pequenas infidelidades, acredito que à custa delas preservei o melhor que pude o espírito do texto.
A solução que Lobel & Page apresentam para o segundo dos versos em que cometo uma pequena traição parece-me muito elegante, mas o bom senso diz-me que a solução de Voigt, a mesma que segue Campbell, é a que Safo mais provavelmente poderá ter escrito e, para efeitos de tradução, é isso que me importa sobretudo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Fragmento 27 de Safo

<...>
Tu, criança em tempos,
anda daí, vem cantar estas melodias,
conversa connosco, concede-nos
a tua alegria

porque nos dirigimos a um casamento, e tu
bem o sabes, mas, o mais rápido que for possível,
manda as raparigas embora, tenham
os deuses

<...>larga estrada para o Olimpo
<...>para os homens
<...>
<...>

Safo, versão minha, a partir da edição crítica de Eva-Maria Voigt (Amsterdão, 1971).

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Fragmento 22, princípio

...
...

se não, inverno
sem dor

...

[αἰ δ]ὲ μή, χείμων[
[ ].οισαναλγεα.[

Safo (versão e selecção minha) sobre edição de Eva-Maria Voigt (Amsterdão, 1971) e seguindo a reconstrução apresentada por David Campbell (Cambridge, Massachusetts, 1982), baseada nos frgs. 12, 15 do P. Oxy. 1231.

(Às vezes assim, uma réstia de sentido nas ruínas, ou um novo sentido criado a partir do que está em ruínas.)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Fragmento 15B de Safo

...E que te encontre amarga, Cípris,
e que não se vanglorie nem diga,
Dorica, de como, segunda vez,
veio para um amor desejado...


Safo, tradução minha a partir da edição crítica de Eva-Maria Voigt (Amsterdão, 1971).