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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Sento-me, deito-me, levanto-me,
tudo em pensamento.
Em nenhum lugar tenho paz,
Com meu conflito me atormento.

Andreas Tscherning, Melancholey Redet Selber, Rostock, 1655. Citado por Walter Benjamin em Origem do Drama Trágico Alemão, traduzido por João Barrento.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Contra a «abibliografação»

1. Não o escrevas se sentes que não tens nada a dizer.
2. Não o escrevas se estás demasiado impressionado com o teu próprio brilhantismo e tens esperança que outros também venham a ficar maravilhados com a tua inteligência, especialmente se essa for a tua única motivação para o escrever.
3. Não o escrevas se o vais fazer just for petty annoyance em relação ao tipo que escreveu sobre o assunto antes de ti.
4. Não o escrevas se acima de tudo não estiveres à procura de iluminar a verdade sobre o assunto sobre o qual pretendes debater. De tudo o que tenho lido, aprendi que ainda é tolerável se a verdade que te propões procurar for uma daquelas mesquinhas, de ordem pessoal e altamente idiossincrática (estas às vezes conseguem ser as melhores de todas).
5. Não o escrevas se não tens vontade de estudar a fundo o que quer que seja necessário estudar para que o possas escrever.
6. Não o escrevas se não tiveres vontade de no fim ficares exposto ao necessário contraditório de quem quiser ou puder discutir contigo a ideia que defendeste.
7. Não o escrevas se não sentires rigorosamente nada em relação ao assunto com que te debates. Se for um assunto neutro, se não te diz nada, diria que é preferível que nem lhe pegues.
8. Se não vais trazer rigorosamente nada de novo ou propor um ponto de vista ligeiramente diferente, que possa esclarecer qualquer coisa nova em relação ao assunto, não o escrevas.
9. Se vais dar erros ortográficos na língua estrangeira que terás de manipular para o escrever, ou, mais simplesmente, se sabes que dás erros ortográficos ou se tens dúvidas de sistematização para evitar calinadas, procura quem perceba do assunto antes de o escreveres e pede-lhe que te explique o que não percebes, ou não o escrevas.
10. Se o vais escrever porque querias era pertencer à bibliografia activa mas achas que o teu talento vai deixar siderados os gajos da bibliografia passiva, sucedendo, ao mesmo tempo, achares secundário o conteúdo do que tens a dizer, não o escrevas.

Porque, para acabares a escrever coisas da ordem desta: «Não é preciso escrever, muito menos ser Pessoa para se sentir melancolia. Até o Zé da esquina e o Zé do centro da rua e o Zé que varre a calçada, sabe que o pensamento dói. Evidentemente que sim - Todo [sic] o poeta é um melancólico. E Bernardo Soares, o poeta que o não foi, seria ainda melancólico por esta falência.» - acredito (e esta é só a minha opinião) que mais vale que não o escrevas.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Melancholy in this sense is the character of mortality.

Robert Burton, Anatomy of Melancholy, Lawrence Bobb (ed.), Michigan University Press, 1965.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O que quero problematizar em tudo isto:

Le beau peut-il être triste? La beauté a-t-elle partie liée avec l'éphémère et donc avec le deuil? Ou bien le bel objet est-il celui qui revient inlassablement après les destructions et les guerres pour témoigner qu'il existe une survivance à la mort, que l'immortalité est possible?

Julia Kristeva, Dépression et Mélancolie, Éditions Gallimard, 1987

domingo, 31 de janeiro de 2010

Why is it that all men who have become outstanding in philosophy, statesmanship, poetry or the arts are melancholic, and some to such an extent that they are infected by the diseases arising from black bile as the story of Heracles among the heroes tells?

(Pseudo-)Aristóteles, «Problema XXX» (tradução de W.S. Hett em Problems. vol. XV, Rethorica ad Alexandrum, Loeb Classical Library, 1937)Negrito

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Efémero

«O poeta admirava a beleza da natureza circundante, mas sem se deleitar. O pensamento de que toda aquela beleza estava votada ao desaparecimento perturbava-o, que no Inverno ela estaria desvanecida, como acontece, de resto com toda a beleza humana, e com tudo o que os homens criaram ou podiam ter criado de belo e de nobre. Tudo o que, de outro modo, ele poderia ter amado e admirado lhe parecia desvalorizado pelo destino efémero ao qual tudo aquilo estava prometido.»

Freud,Vergänglichtkeit, 1916

Eu acredito que a condição efémera da beleza contribui para a tornar ainda mais bela. Por doloroso e, lá está, melancólico que seja.