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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Um poema de Leónidas de Tarento

Um recurvo anzol e uma cana longa,
linha e cestos para os peixes,
este ardil imaginado para emboscar os peixes que nadam,
invenção de gente que pelos mares vagueia lançando rede,
um rude tridente, de Posídon arma,
e um par de remos, ao barco tirados.
Eis o que o pescador Diofante consagrou ao deus do seu ofício,
penhor de justiça, sinais de uma antiga servidão.

Cá fica um poema que na edição das Belles Lettres da Anthologie Grecque está incluído no vol. 3, onde se colige o Livro VI da Antologia Palatina. Muito honestamente (como diria o Chico), não estou com pachorra para copiar o texto grego, pelo que vocês terão de acreditar que a minha tradução é das boas ou confrontá-la com o supra-referido volume. Se me der ganas mais logo lá copiarei o texto grego. Mais vos aviso que não contem com a tradução de mais poemas votivos, que alguns são giros mas a maior parte sofre do problema de precisar de cento e oitenta mil notas para o que existe de belo neles ser revelado com a nitidez que merece (ou isso ou um tradutor menos canhestro do que eu) e com uma certa imediatez que a beleza existente num poema precisa para respirar. 
A isto acresce o facto de me interessarem mais os Epigramas Báquicos, Satíricos e os poemas da Musa Paedika (quase basicamente as ordinarices, portanto), que são os que hão-de animar este blogue assim que o sacana que requisitou o Livro XII (tomo XI) o devolver à biblioteca ou assim que os gajos da Librairie Calepinus (La Librairie Latin-Grec) me fizerem chegar o meu. 
P.S. Podem, contudo, contar com mais uns quantos poemas de Leónidas de Tarento (eu e ele vamos à bola), também conhecido como Leónidas o Tarantino, eventualmente um distinto antepassado do Quentin.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Dois poemas da Antologia Palatina

1. de Estratão de Sardes*

«Comecemos com Zeus», dizia Arato;
mas, Musas, hoje não vos aborreço.
Se amo rapazes e com eles me meto,
as Musas do Hélicon, que têm com isso?

2. de  Estratão de Sardes

Nestas minhas tabuinhas não busques o piedoso Príamo,
nem os sofrimentos de Medeia e Níobe,
nem Ítis nos seus aposentos, nem nas pétalas os rouxinóis,
sobre tudo isso tagarelavam em abundância os meus predecessores;
Mas o aprazível Amor de alegres Graças rodeado
e Baco rumoroso? Esses aos sisudos nunca se mostram.

*O texto grego que serviu de base a esta tradução é o que foi fixado por R. Aubreton, F. Buffière e J. Irigoin no Tomo XI (Livro XII) da edição da Anthologie Grecque preparada para as Belles Lettres. Os poemas são os da Musa Paedika. A edição de que me servi  é a de 2002. Sobre Estratão de Sardes cf. wikipedia.

Texto grego de 1
Ἐκ Διὸς αρχώμεστα, καϑὼς εἴρηκεν Ἄρατος·
ὑμῖν δ᾿, ὦ Μοῦσαι, σήμερον οὐκ ἐνοχλῶ.
εἰ γὰρ εγὼ παῖδὰς τε ϕιλῶ καὶ παισὶν ὁμιλῶ,
τοῦτο τί πρὸς Μούσας τὰς Ἑλικωνιάδας;

Texto grego de 2

Μὴ ζήτει δέλτοισιν ἐμαῖς Πρίαμον παρὰ βωμοῖς,
μηδὲ τὰ Μηδείης πένϑεα καὶ Νιόβης,
μηδ᾿ Ἴτυν ἐν ϑαλάμοις καὶ ἀηδόνας ἐν πετάλοισιν·
ταῦτα γὰρ οἱ πρότεροι πάντα χύδην ἔγραϕον·
ἀλλ᾿ ἱλαραῖς Χαρίτεσσι μεμιγμένον ἡδὺν  Ἔρωτα
καὶ Βρόμιον τούτοις δ' ὀϕρύες οὐκ ἔπρεπον