Mostra-lhe, como uma coisa pode ser feliz, inocente e nossa,
como até a própria dor lamentosa se abre, pura, à forma,
serve como coisa, ou morre transformando-se em coisa -, além
ela afasta-se, com júbilo, do violino. Estas coisas que vivem do declínio
compreendem que tu as louves; efémeras,
confiam-se-nos como coisas salvando-se, a nós os mais efémeros.
Querem que as transformemos por completo no coração invisível,
em - oh, infinitamente - em nós! Sejamos nós quem formos, afinal.
Rainer Maria Rilke, in "Nona Elegia", As Elegias de Duíno, trad. Maria Teresa Dias Furtado, Assírio & Alvim, 2002.
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quinta-feira, 7 de junho de 2012
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Mote
A saudade é isto:
viver nas ondas
e não ter pátria
no tempo.
E desejos são
isto: diálogos baixo
de horas diárias
com a eternidade.
E a vida é isto:
até que de um ontem
surge a mais
solitária das horas
que, sorrindo
diferente das outras irmãs,
vai calada ao
encontro do eterno.
Rainer Maria Rilke, Alba Poética in
Poemas, As Elegias de Duíno, Sonetos a Orfeu. Trad.
Paulo Quintela, Asa Editores, 2003.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Sê como as crianças
Sonhos que cachoam no teu fundo,
liberta-os da escuridão.
São como fontes, e caem
mais claros em pausas de canções
de novo no regaço das taças
E agora sei: sê como as crianças.
Toda a angústia é só começo;
mas a terra não tem fim,
e o medo é só o gesto,
e saudade o seu sentido.
Rainer Maria Rilke, Alba Poética (Frühe Gedichte) in
Poemas, As Elegias de Duíno, Sonetos a Orfeu. Trad.
Paulo Quintela, Asa Editores, 2003.
sábado, 30 de outubro de 2010
Todo o Anjo é terrível
Se eu gritar, quem poderá ouvir-me, nas hierarquias
dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse
para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua
natureza mais potente. Pois o belo apenas é
o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,
e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha
destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.
dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse
para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua
natureza mais potente. Pois o belo apenas é
o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,
e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha
destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.
Rainer Maria Rilke in «Primeira Elegia», As Elegias de Duíno, Maria Teresa Dias Furtado (trad.) Assírio & Alvim, 2002
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