Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Gusmão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Gusmão. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 22 de abril de 2013

o comboio de corda
cruza o sítio de partida
e fecha um dos zeros
do 8 deitado no mapa
celeste
e se leste
até ao fim o seu movimento
viste-o fechar o outro zero
e caíste infinitamente
na terra finita.

Manuel Gusmão, Pequeno Tratado das Figuras, Assírio & Alvim, 2013.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

8. Cápsula

Tudo se foi embora. Já os sons adormeceram
ou retiraram-se já, como se diz do mar
que abandona a praia:
in-
suportável.
Ficou apenas
o áspero rumor distante da máquina
do mundo. Que funciona mal. Nada
solicita já a tua presença entretanto
inalcançável. A noite solidificou no espaço
entre o sagrado nome das coisas
quietas. Aquele rumor e esta noite são
o que te separa de ti - frágil distância e
contudo demasiada.

Manuel Gusmão, Pequeno Tratado das Figuras, Assírio & Alvim, 2013.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Le Violon d'Ingres
























Em 1924, Man Ray (que soa melhor que Emmanuel Radnitzky) tirou uma fotografia intitulada Le Violon d'Ingres. Percebe-se o porquê do título quando se olha para a fotografia. Há alguns anos atrás li um poema (salvo o erro) de Manuel Gusmão em que ele falava do «corpo músico». Olho para a fotografia e lembro-me do poema. Um homem pode tirar uma fotografia e fazer poesia. É o caso de Man Ray. E há qualquer coisa de música no perfil desta senhora, no seu turbante enrolado em torno da cabeça, no movimento suspenso dos ombros.