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sábado, 19 de fevereiro de 2011

VIII

Coloco as mãos onde os instrumentos colapsam.
Sou uma delinquência para o amor:
Posso extrair o mundo onde começo.

João Moita, Miasmas, Cosmorama, 2010

II

Posso começar pela minha morte,
ou posso procurar uma flor para alimentar a terra.
Sei das imagens um modo de transgredir
e sei da casa os ventos da destemperança.
Posso abrir caminho para a minha própria lição.

João Moita, Miasmas, Cosmorama, 2010

sábado, 21 de novembro de 2009

IX

As vozes silenciam o medo.
Espero sempre que alguém cante para que a palavra
seja o estremecimento puro de uma revelação,
um relâmpago subtil que traga de uma vez
a dupla face do signo.
A matéria cindida à luz daquele que,
desejando,
nomeia.
Como se na distância o seu brilho fosse frio e completo.

João Moita, O Vento Soprado como Sangue, Cosmorama Edições, 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

VII

Como a foice se acera na mandrágora,
também a sede escava os veios do mundo.
Talvez assim o amor.

João Moita, O Vento Soprado como Sangue, Cosmorama Edições, 2009