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sábado, 3 de dezembro de 2011
























O indivíduo na fotografia é Jack Kerouac, no ano de 1942. A fotografia pertence ao arquivo da Reserva Naval americana. Olhos melancólicos, orelhas grandes.

domingo, 7 de agosto de 2011

Burn

...they rushed down the street together digging everything in the early way they had which was later now become so much sadder and perceptive.. but then they danced down the street like dingldodies and I shambled after as usual as I've been doing all my life after people that interest me, because the only people that interest me are the mad ones, the ones that are mad to live, mad to talk, desirous of everything at the same time, the ones that never yawn or say a common place thing.. but burn, burn, burn like roman candles across the night.

Jack Kerouac, On The Road: The Original Scroll, Penguin Books, 2008

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Allen Ginsberg

No dia seguinte aparece o Allen com um monte de livros. Dezasseis anos e com as orelhas espetadas. Ele diz «Bem, a descrição é o que há de mais valioso!» E eu disse: «Oh, cala-te meu espasmo.» [...] Allen Ginsberg perguntou-me quando eu tinha dezanove anos: «Achas que devo mudar o meu nome para Allen Renard?» «Mudas o nome para Allen Renard e eu dou-te um pontapé nos tomates! Mantém-te Ginsberg...» e ele assim fez. É uma das coisas que eu gosto no Allen. Allen Renard!!!

Jack Keroauc em Entrevistas da Paris Review, Selecção e Tradução de Carlos Vaz Marques, Tinta da China, 2009

60 Anos Depois Publicada uma Nova Obra de Kerouac e Burroughs

Sessenta anos depois, a Penguin Classics voltou a publicar uma novela de Jack Kerouac escrita em parceria com William Burroughs, a mítica novela que ambos escreveram em conjunto, baseada no assassinato, em 1944, de David Kammerer.
Lucien Carr, um membro destacado do movimento beat, amigo de Kerouac e Burroughs, apunhalou Kammerer, declarou-se culpado do homicídio e foi condenado a vinte anos de prisão, dos quais cumpriu dois.
Kerouac e Burroughs terão ajudado Carr a desfazer-se da arma do crime e foram ambos presos por isso. A família de Burroughs pagou a fiança mas Kerouac cumpriu pena de prisão (o pai recusou-se a pagar-lhe a fiança) e só foi libertado quando a sua mulher, Edie Parker, com quem se casou estando ainda preso, lhe pagou a fiança.
No meio de tanta confusão, Kerouac e Burroughs escreveram uma novela sobre o sucedido, And The Hippos were Boiled in Their Thanks, que nunca chegou a ser publicada.

Em entrevista à Paris Review, Kerouak afirmava que ambos haviam a escrito a novela seguindo um método de composição espontânea e que tinha o texto escondido no soalho de sua casa. Nesta entrevista Kerouac explica também o porquê de um título tão estranho:
«Chama-se And the Hippos were Boiled in Their Thanks. Os hipopótamos. Porque Burroughs e eu estávamos sentados num bar e ouvimos um noticiarista dizer "... e os egípcios atacaram blá blá ... enquanto issso houve um grande fogo no jardim zoológico de Londres e o fogo propagou-se pelos campos e os hipopótamos arderam nos seus tanques! Boa noite a todos!" Foi o Bill que reparou naquilo. Porque ele repara nesse tipo de coisa.»

domingo, 30 de agosto de 2009

Alvoradas Dissonantes

(...) o dia cinzento, a lâmpada vermelha, eu nunca ouvira uma história assim, contada por uma pessoa assim a não ser da boca dos grandes homens que tinha conhecido na minha juventude, grandes heróis da América de quem tinha sido amigo do peito, com quem vivera aventuras e com quem tinha sido preso e com quem partilhara as alvoradas dissonantes, os rapazes desfalecidos na berma dos passeios, a verem símbolos nas sarjetas a transbordar, os Rimbauds e Verlaines da América na Times Square, putos - nenhuma rapariga alguma vez me comovera com uma história de sofrimento espiritual, a alma dela revelara-se de forma tão bela, a irradiar luz como um anjo a deambular pelo inferno e o inferno eram precisamente as mesmas ruas por onde eu vagueara de olhar atento, em busca de alguém exactamente igual a ela (...)

Jack Kerouac, Os Subterrâneos, Paulo Faria (trad.), Relógio d'Água, 2006.