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quarta-feira, 3 de março de 2010

The Poetry of Roses, 5

Far far away voices, wailing...
Must you always repeat the same scenes,
false consciousness?
Trifles dispelled, roses in decay,
space broken down to the rare molecule or two,
it seems these proportions breed peace.
And before the nesting begins, the shrieking:
these mythical dead of yours will return,
opaque men bound to go homeless.

And meteorites of mental steel
spin over the continents, invade the force-fields of
drowsy roses, bend the frequencies of created objects,
make every atempt to be of help. The plane
skimming the cathedral tops make its attack,
rises, goes: it's not for us.
I lived here, where one night of reducing the century to ashes
persuades me and kills me off slowly and I tremble.

Franco Fortini, in Italian Poetry: 1950 to 1990, Ridinger and Renello (eds.), Dante University Press, 1996.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Uma versão do sétimo poema de «La poesia delle rose»

E não. Deixa que se precipitem os últimos rios de um irónico inferno
num rumor de fontes, de quedas de água.
Antes regressasse um só curso de água, o verdadeiro.
Deixa que me abandonem agora as alegorias.
Tu devias ter sabido antes, como eu agora sei,
que regressarias ao frio, ao desejo, ao espinho,
à palavra despida de significado, a uma possível e lenta
ciência, ao sol que despe de cor o Indo e o Nilo,
pétala de história imperceptível.

Mas como poderei distinguir amanhã
as rosas fenecidas, as vivas? Afasto-me daqui
onde me tomou, e regressará, minha loucura:
também para essa peço justiça e amor.
Para ti que ainda dormes: quero que nada te perca.
Ainda que sempre, ainda que sem piedade, o romper da aurora,
que tão débil faz a luz na lonjura,
de um ponto mais alto destrua a tua mais alta esperança,

ainda que o pequeno esmague o mais pequeno,
ainda que cetónias dilacerem o futuro
com as suas insignificantes presas, ainda que culpa e esperança
sejam duas faces de um só mal que nos separa e obstina,
longe, para lá dos salgueiros que nos maceram
e que povoam estes lugares, o ar será sempre este, fino e negro.

Vida longa para a rosa da primavera. Vida longa
para a erva, para as flores, para os beijos, para a dor.

(Versão minha de) La Poesie delle rose, 7, de Franco Fortini. Poema incluído em Italian Poetry: 1950 to 1990, Ridinger and Renello (eds.), Dante University Press, 1996.