Mostrar mensagens com a etiqueta Luís Falcão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Luís Falcão. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Depois de tantos anos
ver-te
Queimando incenso num templo

Finjo não entender
O desaparecimento da luz
Que me era destinada
E regresso a casa por outro caminho.

Luís Falcão, Pétalas Negras Ardem nos Teus Olhos, Assírio e Alvim, 2007.
Sabemos que o tempo passou
Que alguma coisa deveria ter sido dita
(talvez depois, talvez mais tarde)
Deixamos atrás de nós
Uma sequência desconexa de gestos irreparáveis
E, feridos,
Por todas as coisas
que poderíamos ter evitado a nós próprios
Caminhamos para o silêncio
E para a escuridão indefinível dos bosques.

Luís Falcão, Pétalas Negras Ardem nos Teus Olhos, Assírio e Alvim, 2007.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Quando te afastas

Quando te afastas
Uma fina poeira de gelo
Cobre os ramos de todas as árvores
E delicadamente
Atravessas os destroços
Em que deixas tudo o que amaste.

Luís Falcão, Pétalas Negras Ardem nos Teus Olhos, Assírio e Alvim, 2007.
Ocupei o dia com pequenas tarefas
Para silenciar um pedido uma súplica
Pintei o velho alpendre consertei a cancela do jardim
Libertei o cão para que perseguisse os pássaros pelo bosque
Recusou-se a partir
Persiste onde não existe caminho
Ao meu lado
Esperando que um vento frio
Dispa de folhas todos os ramos.

Luís Falcão, Pétalas Negras Ardem nos Teus Olhos, Assírio e Alvim, 2007.