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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

a proa do coração

<Coro>

(cantando e dançando)

Possa eu entoar um †pungente†

grito de júbilo pelo homem

derrubado e pela mulher

que morre! Porquê esconder

o que, apesar de tudo, paira 390

diante da minha mente, onde da proa

do meu coração sopra furiosamente uma cólera

aguda, um ódio ressentido?


Ésquilo, Coéforas, vv. 386-393

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Mais de cansaço do que de fervor

Ela de Jean Genet na Cornucópia

Além da afirmação, bastante veemente, de que o papa tem cu e da ideia de que por secreto decreto papal os torrões de açúcar seriam a forma de representação oficial d'Ela, de sua santidade, ficou-me na cabeça aquela frase em que a personagem do Cintra diz que a maior parte dos homens são mais feitos de cansaço do que de fervor, o que quase me parece contraditório num ensaio sobre a aparência. Ou por outra, para se falar sobre coisas aparentes, verdadeiramente, é preciso chegar ao âmago. Em certo sentido, é uma peça muito platónica.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Bruscon
(. . .)
Se formos sinceros
o teatro em si é um absurdo
mas se formos sinceros
não podemos fazer teatro
não podemos se formos sinceros
escrever uma peça de teatro
nem representar uma peça de teatro
se formos sinceros
a única coisa que podemos fazer
é suicidarmo-nos
mas como não nos suicidamos
porque não nos queremos suicidar
pelo menos até hoje e até agora
como portanto até hoje e até agora não nos suicidámos
vamos continuando sempre a tentar o teatro
escrevemos para o teatro
e representamos teatro
mesmo que seja tudo o maior absurdo
e a maior hipocrisia
Como é que um actor
pode fazer o papel de um rei
sem fazer ideia nenhuma do que é um rei
como é que uma actriz
pode fazer o papel de uma moça de estrebaria
sem fazer ideia nenhuma do que é uma moça de estrebaria
um actor nacional fazer o papel de um rei
é uma coisa insípida
e uma actriz nacional
fazer o papel de uma moça de estrebaria
é uma coisa ainda mais insípida
mas todos os actores fazem sempre o papel de qualquer coisa
que não podem ser
e que só é insípida
assim é tudo insípido no teatro meu caro senhor
(...)

Thomas Bernhard, O Fazedor de Teatro, Assírio & Alvim, Lisboa, 2004 (tradução de José A. Palma Caetano)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Shakespeare entre Nós
























Isto tem ar de ir valer a pena. É sempre bom ouvir João Almeida Flor a falar sobre Shakespeare.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Festival de Teatro de Almada 2009



O Festival de Teatro de Almada terá lugar entre 4 e 18 de Julho em Almada e Lisboa, com a participação de várias companhias teatrais nacionais e estrangeiras. Paralelamente às representações dramáticas, haverá vários eventos, como colóquios, concertos, exposições e workshops. Para os interessados, encontrarão a programação aqui.