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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Catulo (os poemas da Ítaca 1)


Dando continuidade à campanha catuliana, brilhantemente lançada aqui, e que culminará com a publicação dos Carmina na Cotovia (está para breve, está para breve), recuperamos a tradução de seis poemas inicialmente publicada na Ítaca 1 (Março de 2010).

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O primeiro Catulo não censurado em português

Está quase quase a sair a tradução dos Carmina de Catulo por J.P. Moreira e André Simões. A Cotovia publicou hoje os primeiros versos no seu blogue. É um livro a não perder: um poeta excelente (imaginai um James Dean poeta perdido algures na Roma da Antiguidade e tereis uma imagem próxima de quem era Catulo) e uma tradução irrepreensível.

terça-feira, 3 de maio de 2011

São as provas do André

O André, autor deste blogue, defende na próxima quinta, a sua tese de doutoramento, subordinada a um tema que é qualquer coisa como a Restauração tuga no arquivo secreto do Vaticano. Onde? No arquivo secreto do Vaticano
Parece que houve uma fase em que o carteiro o olhava de lado sempre que recebia correspondência.
Levemos as nossas camisolas do Sporting que não temos e vamos todos apoiá-lo.

sábado, 18 de setembro de 2010

Catulo 84

"Khómodo", se acaso "cómodo" queria
dizer, e "insídias" Árrio "hinsídias" dizia,
e gabava-se então de maravilhosamente ter falado,
quando, o mais que pudera, "hinsídias" dissera.
Parece-me que já assim a sua mãe, assim o seu tio livre,
assim o avô materno e a avó tinham falado.
Enviado ele para a Síria, a todos haviam os ouvidos descansado:
ouviam essas mesmas palavras branda e levemente ditas,
nem depois tais palavras receavam,
quando de repente surge a notícia terrível:
as ondas Iónicas, depois de lá ter estado Árrio,
já não Iónicas, mas Hiónicas eram.

Tradução de André Simões

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Salmo 3

no dia em que as minhas palavras foram
terra
fui amigo de espigas de trigo

no dia em que as minhas palavras foram
fúria
fui amigo de grilhões

no dia em que as minhas palavras foram
pedra
fui amigo de arroios

no dia em que as minhas palavras foram
revolta
fui amigo de terramotos

no dia em que as minhas palavras foram
cabaças azedas
fui amigo do optimismo

quando as minhas palavras se tornaram
mel
as moscas cobriram-me
os lábios

Mahmûd Darwîsh, aqui. Tradução de André Simões.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

um recadinho

um recadinho

vou ao mercado
peço-te que me esperes aqui até eu voltar
podes lavar a tua roupa se te sentires aborrecida
e se a porta te perturbar
então arranca-a
e põe qualquer coisa no seu lugar
peço-te que não deixes a tua cara no espelho
e não saias pela janela
não te mates como é teu costume
mas
espera-me
aqui
até
eu voltar

Ahmed Barakat, traduzido do original por André Simões com revisão de Nádia Bentahar, aqui.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Pascal Quignard, La Frontière


«C'est pourquoi le parc est peuplé d'hommes qui se suicident et de danseurs qui tombent. C'est ainsi que le marquis de Fronteira tira vengeance de la vengeance de Madame d'Oeiras. C'est pourquoi les animaux sur les azulejos ont pris le visage des hommes. C'est pourquoi au coin des fresques, à l'angle de ces murs, on voit des figures accroupies qui relèvent leur jupe et excrètent dans l'ombre»

segunda-feira, 25 de maio de 2009

a dor negra


o negro é o espirrar do sangue de cada dia
o negro é também a cor peculiar das máquinas de ferir
e a dor é um gozo negro

o negro é a mancha queimada de óleo humano sobre
a terra
é o óxido de cansaço espesso nos olhos dos gatos
e a dor é o miar cortado na escuridão

na corrente de fogo
na cinza dos dedos velhos no asfalto
na cabeça cortada da criança no caminho

a dor negra
também é todo este fumo
enquanto a parede respira com pulmões de ferro

Ahmed Barakat
(Marrocos, 1960-1994)
Tradução do árabe: André Simões
الأَلَم الأسود

الأَسودُ هو نُفاياتُ الدَّمِ اليَومِي

الأَسودُ هو أَيضاً اللَّونُ الخاصُ بِآلات الجَرْح
والأَلَم هو اللَّذَّةُ السَّوداء

الأَسوَدُ هو بُقَعُ مَحْرُوقُ الزَّيتِ البَشَرِي على
الأَرْض
هو أُ
وكْسِيد التَّعَبِ السَّمِيكِ على عَيونِ القِطَط
والألم هو المواء المتقطع في الظلام

في سلسلة الحريق
في رماد أصابع العجوز على الإسفلت
في رأسِ الطِفْلِ المقطوعِ في الطِرِيقِ

الألَمُ الأَسوَدُ
هو أَيضاً كُلّ هذا الدُّخان
بَينَما الجِدار يَتَنَفَّسُ بِرِئَتَينِ مَن حَدِيد

Prisão do Ético

O valter hugo mãe leu e não quis deixar de dizer o que achou de A prisão do ético, do nosso amigo Paulo Rodrigues Ferreira. A não perder.