quarta-feira, 14 de março de 2012
segunda-feira, 12 de março de 2012
Sorte pesada
domingo, 11 de março de 2012
XI
jogam ao suicídio. Por
partes avançam e suspendem
sábado, 10 de março de 2012
"Polvo serán, mas polvo enamorado"
- Olá.
Isto é a tua voz. Abro os olhos e os teus olhos estão aqui.
- Olá.
Isto é a minha voz.
E deslizas por mim abaixo.
-
A cama fica num canto, num aconchego. Estamos em cima da cama, ajoelhados, nus. Nunca tinha reparado como as tuas mãos são uma obra-prima. É a primeira vez que as vejo saírem assim dos braços, renascentistas, angulosas. Uma delas basta para me cobrir a cara, toco a polpa de cada dedo com a língua. A palma da outra está encostada a um mamilo. Movemo-nos lentamente sem uma palavra. É um silêncio estranho, de quem perdeu a fala ou sofre em silêncio.
Tu sofres em silêncio, eu perdi a fala.
Alexandra Lucas Coelho, E a noite roda, Edições tinta-da-china, Lisboa, 2012.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Cineclube de Letras
Protogenes
quarta-feira, 7 de março de 2012
segunda-feira, 5 de março de 2012
XVIII
Like a sunken coal,
The heart would rest quiet,
The unrent soul
Be still as a veil;
But I have watched all night
The fire grow silent,
The grey ash soft:
And I stir the stubborn flint
The flames have left,
And grief stirs, and the deft
Heart lies impotent.
Philip Larkin, The North Ship, Faber & Faber, 1966.
XXVI
I have understood:
Time is the echo of an axe
Within a wood.
Philip Larkin, The North Ship, Faber & Faber, 1966.
domingo, 4 de março de 2012
V
sábado, 3 de março de 2012
'perhaps the very music that the dying Antony in Cavafy's poem heard'
Um acto de fé
(...) D. Quixote levantou a voz, e com um tom arrogante disse:
- Detenha-se toda a gente, se toda a gente não confessar que não há no mundo todo uma donzela mais formosa que a imperatriz da Mancha, a sem par Dulcineia do Toboso.
(…)
- Senhor cavaleiro, nós não conhecemos quem seja essa boa senhora que dizeis; mostrai-no-la: que se ela for de tão grande formosura como declarais, de boa vontade e sem constrangimento nenhum confessaremos a verdade que por vós nos é pedida.
- Se eu vo-la mostrasse – replicou D. Quixote – , que valor tinha confessar uma verdade tão evidente? A importância está em que, sem vê-la, o haveis de acreditar, confessar, afirmar, jurar e defender; se não, comigo travareis uma batalha, gente monstruosa e soberba.
Miguel de Cervantes, O Engenhoso Fidalgo D. Quixote de la Mancha, José Bento (trad), Relógio d'Água, 2005.

