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domingo, 10 de abril de 2011

Ainda Lumet

Eduardo Pitta pergunta-se, em Da Literatura, se terá morrido, em Sidney Lumet, o último clássico. É daquelas perguntas que são injustas para nomes como Godard, Ettore Scola, Martin Scorsese, Stanley Kubrick, ou mesmo um realizador que acho que pertence muitíssimo à mesma tradição de Lumet, que é Clint Eastwood (que como todos sabemos a seguir ao último dos Dirty Harry foi raptado por ET's e condenado a realizar filmes no mínimo bons até ao fim dos seus dias). Diria ainda que, só para citar nomes de língua inglesa, tenho muita esperança no trabalho de realizadores como James Gray, Christopher Nolan ou os irmãos Coen, só para citar alguns. Creio que todos estes se hão-de tornar clássicos, se é que não o são já (os Coen pela quantidade e pela qualidade acho que estão para lá de confirmados). Além disso, os clássicos na verdade nunca morrem.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Uma variação sobre Sócrates

Pertenço infelizmente àquela casta de idiotas que acha que qualquer forma de conhecimento que se possa adquirir é sempre limitada (nunca saberemos tudo de tudo, académica e vivamente falando) e que o que sabemos nunca deve ser feito ou julgado forma de poder, vantagem ou nobilitas sobre terceiros. O pouco que sei, a mim, serve-me para medir mais a minha ignorância do que para enfiar em relevo o aprendido, limitado que sei que está à partida, pois que nunca será tudo. Desta forma, de volta a Sócrates e à Apologia de Sócrates: só sei que nada sei. Na escola aprendi grego, com o meu tio a jogar à malha, ambas as coisas por acaso me têm dado jeito e alegria, nunca vi em nenhuma delas sobre outros vantagem e no dia em que tiver de o fazer, acabou, desisto. No que podemos saber está a alegria da partilha, da troca, o que sabemos torna-se pesado cadáver quando o queremos lançar à cara de outros como um peso, como humilhação por não o saberem. O que é realmente a sabedoria e onde está?, porque não está aí.