Mostrar mensagens com a etiqueta Vicente Aleixandre. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vicente Aleixandre. Mostrar todas as mensagens

domingo, 15 de maio de 2011

Viver

Tengo unos deseos enormes de vivir, de salir a la vida. Me siento como la llama de una lumbre, que me pasa el alma y la carne y me asoma a los ojos con un resplandor inextinguible. Soy yo mi fuego y mi exaltación y siento una apetencia del mundo y del amor que me haría abrazarlo hasta ser yo él, hasta enajenarme en su extravío. ¿Se perderá esta fuerza mía? ¿Se ha de salvar solo mi arte, para encender mi lengua de poesía? ¡Ah, no, no lo quisiera! Quiero vivir; quiero vivir en vida, no en letra, ni tan siquiera en poesía. La poesía como la más ardiente corona de la vida. ¡Pero la vida, sí, la vida!


Fragmento de uma carta de Vicente Aleixandre ao pintor, e seu amigo, Gregorio Prieto, 1933.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Lope, em sua casa III

Aqui a lareira, o ferro. As trempes. Aí soa
a madeira. As roupas penduradas. O cobertor
que dá calor ainda. Olhai-os: os brinquedos são
[meninos,
a mãozinha de bronze. O candeeiro. Mais espelhos...
A liberdade foi amor e acabou em prisões.
Preso ou livre um homem é conforme lhe diz a
[sua alma.
Em suas cadeias solto forjou o destino tornando-se
quem entre muros sempre viveu, venceu: entregou-se.
Liberdade mais que amor foi Lope, e assim brilha
perpetuamente livre: mais livre hoje faz o homem.

Vicente Aleixandre, Antologia de Vicente Aleixandre, Selecção, tradução e notas de José Bento, Editorial Inova, 1977

Como Moisés é o velho

Como Moisés no alto do monte.

Cada homem pode ser aquele
e mover a palavra e erguer os braços
e sentir como do seu rosto a luz varre
o velho pó dos caminhos.

Porque ali está a aposta.
Olha para trás: a aurora.
Adiante: mais sombras. E as luzes despontavam!
E ele agita os braços e proclama a vida,
desde a sua morte a sós.

Porque como Moisés, morre.
Não com as tábuas vãs e o ponteiro, e o raio nas
......................................................................[alturas,
mas desfeitos os textos na terra, ardidos
os cabelos queimados os ouvidos pelas palavras
....................................................................[terríveis,
e alento ainda nos olhos, e nos pulmões a chama,
e a luz na boca.

Para morrer basta um ocaso.
Uma porção de sombra na linha do horizonte,
Um formigar de juventudes, esperanças, vozes.
E além na sucessão, a terra: o limite.
O que os outro verão.

Vicente Aleixandre, Antologia de Vicente Aleixandre, Selecção, tradução e notas de José Bento, Editorial Inova, 1977

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Epitáfio

Para apagar o teu nome,
ardente corpo que na terra aguardas
como um deus o esquecimento, aqui te chamo,
limite de uma vida, aqui, exacto
corpo que ardeu. Não sepulcro, terra livre.

Lançai ao passar vosso olhar lento,
o que uma dura pedra vos pedisse,
ou o que pede uma árvore sem pássaros,
casta na noite, em nua vigília.

Nunca o rumor de um rio aqui se escute,
Sob a profunda terra o morto vive
como absoluta terra.

Homem, passa:
não sobre um peito soarão teus passos.

Vicente Aleixandre, Antologia de Vicente Aleixandre, Selecção, tradução e notas de José Bento, Editorial Inova, 1977

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Às vezes um verso (ou dois)

diz-me o que é esta mensagem distante que suplica
que pranto escuto às vezes quando és só uma lágrima

Vicente Aleixandre
, Antologia de Vicente Aleixandre, Selecção, tradução e notas de José Bento, Editorial Inova, 1977

Sempre

Estou sozinho. As ondas; praia, escuta-me.
De fronte, os delfins ou a espada.
A certeza de sempre, os não-limites.
Esta delicada cabeça não amarela,
esta pedra de carne que soluça.
Areia, areia, teu clamor é meu.
Por minha sombra não existes como seio,
não finjas que as velas e que a brisa,
que um aquilão, um vento furibundo
vai empurrar teu sorriso até à espuma,
ao sangue roubando os seus navios.

Amor, amor, detém teus pés impuros.

Vicente Aleixandre, Antologia de Vicente Aleixandre, Selecção, tradução e notas de José Bento, Editorial Inova, 1977