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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Eu escrevia num quadro de ardósia
e nas folhas de leques apagados,
e na areia de riachos e mares,
com um patim no gelo, com um anel nos vidros,

e na casca de árvores centenárias...
E finalmente, para que ninguém possa ignorar
que tu és amado! amado! amado!,
eu assinava num arco no azul do céu.

Eu queria tanto que tudo florisse
nos séculos dos séculos! Sob os meus dedos!
E depois, com a testa sobre a mesa,
risquei todos os nomes com uma cruz.

Mas tu, nos dedos mercenários de escriba
prisioneiro! Tu, mordes-me o coração!
Nunca me traias! Para dentro do anel!
Tu ficarás para sempre na tábua das leis.

Maria Tsvétaïeva in Poetas Russos, Manuel Seabra (trad.), Relógio d'Água, 1995

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Tsvétaïeva

Coloco Tsvétaïeva no topo - era uma poeta consumada logo desde o início. Numa época de afectação ela tinha a sua voz própria - humana, clássica. Era uma mulher com alma de homem. A luta dela com a vida de todos os dias dava-lhe força. Ela esforçava-se e obtinha uma clareza perfeita. É melhor poeta que Akhmátova, cuja simplicidade e lirismo sempre admirei. A morte de Tsvétaïeva foi uma das grandes tristezas da minha vida.

Boris Pasternak em Entrevistas da Paris Review, Selecção e Tradução de Carlos Vaz Marques, Tinta da China, 2009.