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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Perceber verdadeiramente

Na vida, para se perceber, mas perceber verdadeiramente, como são as coisas deste mundo, deve-se morrer pelo menos uma vez. E então, uma vez que é essa a lei, o melhor é morrer quando ainda se é novo, quando se tem ainda tempo, diante de si, para se aguentar no balanço e ressuscitar...

Giorgio Bassani, O Jardim dos Finzi-Contini, Egito Gonçalves (trad.), Quetzal

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Ferrara

E, no fundo do campo, a leste, apenas a quarenta quilómetros de distância, o mar, com praias desertas, orladas de magníficas florestas de carvalhos e pinheiros: à parte isso a própria cidade, se se lhe entrava bem dentro, se se tentava conhecê-la como ele tinha decidido fazer, observando-a de perto, sem ideias preconcebidas, encerrava em si, como tantas outras, tais tesouros de rectidão, de inteligência e de bondade que só cegos e surdos, ou então gente de coração árido, poderiam ignorar ou desvalorizar.

Giorgio Bassani, O Jardim dos Finzi-Contini, Egito Gonçalves (trad.), Quetzal

terça-feira, 13 de julho de 2010

Vocação

Quem saberá como e por que nasce uma vocação para a solidão?

Giorgio Bassani, O Jardim dos Finzi-Contini, Egito Gonçalves (trad.), Quetzal

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Palavra dialectal

Assim as maçãs eram «i pum», os figos, «i figh», os damascos, «i mugnágh», os pêssegos, «i perságh». Só em dialecto se podia falar daquelas coisas. Só a palavra dialectal lhe permitia, ao citar árvores e frutos, dobrar os lábios na careta que o coração lhe sugeria e que ficava a meio caminho entre a ternura e o desinteresse.

Giorgio Bassani, O Jardim dos Finzi-Contini, Egito Gonçalves (trad.), Quetzal