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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Nicole Diver

Resultava isto do facto de conhecer vários mundos e não acreditar em nenhum, e, assim, conservava-se silenciosa, partilhando a sua urbanidade com uma exactidão que se aproximava da mesquinhez. Mas quando os estranhos tendiam a mostrar-se afectados perante esta economia, ela voltava a si e ficava admirada, cedendo logo, quase timidamente.

F. Scott Fitzgerald, Terna é a Noite, Cabral do Nascimento (trad.), Relógio d'Água, 1991.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Grandes livros, críticos completamente obtusos

Sobre o livro de F. Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby, escreveu em tempos um crítico do New York Herald Tribune: «o que nunca esteve vivo dificilmente poderá continuar a viver. Por isso, este é um livro de uma só estação.»
É tramado um tipo escrever um livro absolutamente genial e ser lido por um crítico deste calibre. Mais críticos brilhantes (ironicamente falando)aqui. Via Blogtailors.

Pergunto-me o que leva certos críticos a escrever este tipo de pérolas tendo em mãos um livro fantástico. Por vezes, pode ser por se tratar de uma obra de um autor jovem e desconhecido, que não distribuiu apertos de mão e simpatia pelos críticos responsáveis de secções de livros certos, porque não pôde, porque não quis ou porque achou que não precisava. O seu livro pode ser genial, ou pelo menos conter uma centelha de génio, mas um crítico estúpido (nem é necessário ser exigente ou pouco generoso) dirá: «é melhor esperar mais uns aninhos, ver para que lado cai a maçã.»
Pode tratar-se de um autor consagrado, e aí dar-se o (infeliz) caso de os complexos de inferioridade do escritor frustrado que habitam o crítico literário não lhe permitirem dar a mão à palmatória (indesculpável, improvável, mas possível).
O que faz um bom crítico literário, em minha opinião, em primeiro lugar, é ler muito, diacrónica e sincronicamente, ler literatura e (literatura) sobre literatura. Antes de ser crítico ser estudioso. Mas isto não basta. É necessário que tenha um estilo sólido e fluente, de quem nos leva pela mão. Informar-se sobre o que vai ler (antes ou depois de ter lido, é-me indiferente), mas seguramente antes de escrever a sua crítica: observar se existe uma estética vigente quando determinado autor produziu determinada obra, como foi recebida, se influenciou ou não os seus contemporâneos (se existirem dados que permitam esta pesquisa), este tipo de coisas. E, sobretudo, ter um bom sentido estético, que lhe permita avaliar com alguma objectividade (a possível) o texto que tem em mãos.
No fundo, acho que o crítico literário ideal é aquele que é crítico porque é leitor e não que é leitor por ser crítico. E não estou a dizer que existem autores intocáveis para a crítica e para os críticos, mas creio que quem lê Anna Karénina e diz que é lixo sentimental, bom... (grande besta).