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quarta-feira, 18 de novembro de 2009
«Tínhamos de verdadeiro a questão do destino.»
João Miguel Fernandes Jorge citado por Maria de
Lourdes Belchior in Gramática do Mundo
João Miguel Fernandes Jorge citado por Maria de
Lourdes Belchior in Gramática do Mundo
Tínhamos
em comum
ter de ganhar
o pão
de cada dia
e ter muita
dificuldade
em ganhar
o pão
de cada dia
Isto
é muito mais
que a questão
do destino
Adília Lopes, Dobra:Poesia Reunida, Assírio & Alvim, 2009
em comum
ter de ganhar
o pão
de cada dia
e ter muita
dificuldade
em ganhar
o pão
de cada dia
Isto
é muito mais
que a questão
do destino
Adília Lopes, Dobra:Poesia Reunida, Assírio & Alvim, 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Fedra está apaixonada
por Hipólito
Hipólito não está apaixonado
por Fedra
Fedra enforca-se
Hipólito morre
num acidente
Dido está apaixonada
por Eneias
Eneias não está apaixonado
por Dido
Dido oferece uma espada
a Eneias
Eneias esquece-se da espada
quando se vai embora
Dido suicida-se
com a espada esquecida
por Eneias
Um desgosto de amor
atirou-me para um
curso de dactilografia
consolo-me
a escrever automaticamente
o pior são os tempos livres.
Adília Lopes, Dobra:Poesia Reunida, Assírio & Alvim, 2009
por Hipólito
Hipólito não está apaixonado
por Fedra
Fedra enforca-se
Hipólito morre
num acidente
Dido está apaixonada
por Eneias
Eneias não está apaixonado
por Dido
Dido oferece uma espada
a Eneias
Eneias esquece-se da espada
quando se vai embora
Dido suicida-se
com a espada esquecida
por Eneias
Um desgosto de amor
atirou-me para um
curso de dactilografia
consolo-me
a escrever automaticamente
o pior são os tempos livres.
Adília Lopes, Dobra:Poesia Reunida, Assírio & Alvim, 2009
À Maneira de Vieira
Mas eu
não morro
nunca
e eternamente
busco e consigo
a perfeição
das coisas
porque sou
ateniense e grega
Adília Lopes, Dobra:Poesia Reunida, Assírio e Alvim, 2009
não morro
nunca
e eternamente
busco e consigo
a perfeição
das coisas
porque sou
ateniense e grega
Adília Lopes, Dobra:Poesia Reunida, Assírio e Alvim, 2009
(Acho que só poderia ter escrito este poema quem tivesse passado pela estação de metro da Cidade Universitária em Lisboa.)
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