Beyond all this, the wish to be alone:
However the sky grows dark with invitation-cards
However we follow the printed directions of sex
However the family is photographed under the flagstaff -
Beyond all this, the wish to be alone.
Beneath it all, desire of oblivion runs:
Despite the artful tensions of the calendar,
The life insurance, the table of fertility rites,
The costly aversion of the eyes from death -
Beneath it all, desire of oblivion runs.
Philip Larkin, The Less Deceived, Faber & Faber, 1955.
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segunda-feira, 1 de julho de 2013
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Deceptions
'Of course I was drugged, and so heavily I did not regain consciousness until the next morning. I was horrified to discover that I had been ruined, and for some days I was inconsolable, and cried like a child to be killed or sent back to my aunt.'
-Mayhew, London Labour and the London Poor
Even so distant, I can taste the grief,
Bitter and sharp with stalks, he made you gulp.
The sun's occasional print, the brisk brief
Worry of wheels along the street outside
Where bridal London bows the other way,
And light, unanswerable and tall and wide,
Forbids the scar to heal, and drives
Shame out of hiding. All the unhurried day,
Your mind lay open like a drawer of knives.
Slums, years, have buried you. I would not dare
Console you if I could. What can be said,
Except that suffering is exact, but where
Desire takes charge, readings will grow erratic?
For you would hardly care
That you were less deceived, out on that bed,
Than he was, stumbling up the breathless stair
To burst into fulfillment's desolate attic.
Philip Larkin, The Less Deceived, Faber & Faber, 1955 (1st edn.).
quinta-feira, 27 de junho de 2013
quarta-feira, 26 de junho de 2013
súbito
até cada objecto se encher de luz e ser apanhado
por todos os lados hábeis, e ser ímpar,
ser escolhido,
e lampejando do ar à volta,
na ordem do mundo aquela fracção real dos dedos juntos
como para escrever cada palavra:
pegar ao alto numa coisa em estado de milagre: seja:
um copo de água,
tudo pronto para que a luz estremeça:
o terror da beleza, isso, o terror da beleza delicadíssima
tão súbito e implacável na vida administrativa
Herberto Helder, Servidões, Assírio & Alvim, 2013
por todos os lados hábeis, e ser ímpar,
ser escolhido,
e lampejando do ar à volta,
na ordem do mundo aquela fracção real dos dedos juntos
como para escrever cada palavra:
pegar ao alto numa coisa em estado de milagre: seja:
um copo de água,
tudo pronto para que a luz estremeça:
o terror da beleza, isso, o terror da beleza delicadíssima
tão súbito e implacável na vida administrativa
Herberto Helder, Servidões, Assírio & Alvim, 2013
segunda-feira, 24 de junho de 2013
não é um
a noite que no corpo eu tanto trouxe, setembro, o estio,
pálpebras seladas, unhas, e o sangue por baixo e em cima a faca
com que se talha a mão e a frase um pouco longa sangra,
e consta que no verso e reverso da língua se está mais vivo,
assim o súbito nos abra,
nos puxe, digo eu, ao sorvedouros do sono,
e seus estados e obras,
eu que sou isento, digo, que me devore um buraco ou fora ou dentro,
ou galáctico, ou uma pontada no coração tão de repente,
se alguém se vai embora não sei de onde para onde,
se se murmura: que toda a gente morre de si: ou agora ou
um pouco mais tarde, o que está certo
como qualquer mistério:
água quebrando os dedos até às pontas quando se escreve
de uma ponta à outra sobre as riscas do papel cantante,
mais coisa menos coisa, pequena coisa, ou: riacho frio, sorve-o a areia
e acaba ali, como esta curta ária aqui tão perto do comêço
de seu esperançoso esperanto tanto quanto
já sabe alguém que aqui se capitula,
e abre este capítulo:
que tudo acaba: canção, talento, alento, papel, esfereográfica,
alguma coisa movida a estrangeiro longíquo,
coisa fora do sistema, e mete medo,
e não é a beleza,
não é um rosto que estremeça junto ao nosso rosto,
e o pretexto é sempre este:
orvalho
Herberto Helder, Servidões, Assírio & Alvim, 2013
Uma amiga mo traficou para terras de, muito muito obrigada obrigada.
pálpebras seladas, unhas, e o sangue por baixo e em cima a faca
com que se talha a mão e a frase um pouco longa sangra,
e consta que no verso e reverso da língua se está mais vivo,
assim o súbito nos abra,
nos puxe, digo eu, ao sorvedouros do sono,
e seus estados e obras,
eu que sou isento, digo, que me devore um buraco ou fora ou dentro,
ou galáctico, ou uma pontada no coração tão de repente,
se alguém se vai embora não sei de onde para onde,
se se murmura: que toda a gente morre de si: ou agora ou
um pouco mais tarde, o que está certo
como qualquer mistério:
água quebrando os dedos até às pontas quando se escreve
de uma ponta à outra sobre as riscas do papel cantante,
mais coisa menos coisa, pequena coisa, ou: riacho frio, sorve-o a areia
e acaba ali, como esta curta ária aqui tão perto do comêço
de seu esperançoso esperanto tanto quanto
já sabe alguém que aqui se capitula,
e abre este capítulo:
que tudo acaba: canção, talento, alento, papel, esfereográfica,
alguma coisa movida a estrangeiro longíquo,
coisa fora do sistema, e mete medo,
e não é a beleza,
não é um rosto que estremeça junto ao nosso rosto,
e o pretexto é sempre este:
orvalho
Herberto Helder, Servidões, Assírio & Alvim, 2013
Uma amiga mo traficou para terras de, muito muito obrigada obrigada.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Diante das vinhas
Diante das vinhas abrasadas pelo inverno, penso no medo e na luz (uma única substância dentro dos meus olhos),
penso na chuva e nas distâncias atravessadas pela ira.
Antonio Gamoneda, Oração Fria, João Moita (sel., trad. e posf.), Assírio & Alvim, 2013.
Antonio Gamoneda, Oração Fria, João Moita (sel., trad. e posf.), Assírio & Alvim, 2013.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Fileiras de prisioneiros
Sucediam-se fileiras de prisioneiros; homens carregados de silêncio e cobertores. Daquele lado do Bernesga eram contemplados com amizade e medo. Uma mulher, cansada e bela, abeirava-se com uma cestinha de laranjas, a última laranja queimava-lhe as mãos: sempre havia mais presos que laranjas.
Passavam debaixo das minhas varandas e eu baixava-me até aos ferros cujo frio não cessará no meu rosto. Em compridas fileiras eram levados às pontes e eles sentiam a humidade do rio antes de entrar na treva de San Marcos, nos tristes depósitos da minha cidade envergonhada.
Antonio Gamoneda, Oração Fria, João Moita (sel., trad. e posf.), Assírio & Alvim, 2013.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
De «Note on method»
So writing involves some dashing back and forth between the darkening landscape where facticity is strewn and a windowless room cleared of everything. I do not know. It is the clearing that takes time. It is the clearing that is a mistery.
Once cleared the room writes itself. I copy the names of everything left in it and note their activity.
How does the clearing occur? Lukács says it begins with my intent to exercise everything that is not accessible to the immediate experience (Erlebbarkeit) of the self. Were this possible, it would seal the room on its own boundaries like a cosmos. Lukács is prescribing a room for aesthetic work; it would be a gesture of false consciousness to say academic writing can take place there. And yet, you know as well as I, thought finds itself in its room in its best moments -
locked inside its own pressures, fishing of facts of the landscape from notes or memory as well as it may - vibrating (as Mallarmé would say) with their disappearance.
Anne Carson, Economy of the Unlost, Princeton Paperbacks, 1999.
terça-feira, 11 de junho de 2013
nos mercados abandonados
A minha amizade está sobre ti como uma mãe sobre o filho que sonha com facas.
Não te porei outra venda a não ser aquela que foi desfiada em redor do meu corpo, não te derramarei outro óleo a não ser aquele que descansa dentro dos meus olhos.
Certamente o silêncio é uma história horrível mas há um vigor que sucede ao desespero.
Recorda-te da paz nos mercados abandonados, recorda-te da doçura nos quartos onde o esquecimento se corrompia. Ninguém tinha razão nem esperança, que podíamos fazer.
Antonio Gamoneda, Oração Fria, João Moita (sel., trad. e posf.), Assírio & Alvim, 2013.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
ci affoga dentro proprio fino agli occhi
Uno non può sperare di scrivere qualcosa di serio cosí alla legera, come con una mano sola, svolazzando via fresco fresco. Non si può cavarsela cosí con poco. Uno, quando scrive una cosa che sia seria, ci casca dentro, ci affoga dentro proprio fino agli occhi, e se ha dei sentimenti molto forti che lo inquietano in cuore, se è molto felice o molto infelice per una qualunque ragione diciamo terrestre, che non c'entra per niente con la cosa che sta scrivendo, allora, se quanto scrive è valido e degno di vita, ogni altri sentimento s'addormenta in lui. Lui no può sperare di sebarsi intatta e fresca la sua cara felicità, o la sua cara infelicità, tutto s'allontana e svanisce ed è solo con la sua pagina, nessuna felicità e nessuna infelicità può sussistere in lui che non sia strettamente legata a questa sua pagina, non possiede altro e non appartiene ad altri e se non gli succede così, allora è segno che la sua pagina non vale nulla.
Natalia Ginzburg, 'Il Mio Mestiere', Le Piccole Virtú, Einaudi, 2012 (1ª edição 1962).
terça-feira, 4 de junho de 2013
A fonte da arte
Homenageio a tua primavera em flor
alma precocemente iluminada
que pões a salvação no mais profundo risco
o silêncio dos olhos sobranceiros
na predestinação da profecia
suavidade um dia em minha morte
com o olhar imerso na tristeza
Povoavam pássaros a noite
tudo era pensamento para mim
e as palavras só vinham depois
Ó meu país longínquo donde venho
nessa nuvem de vida sobre a minha morte
Na manhã combalida do domingo
na primavera dolorosa dos teus passos ruy
ao tempo de uma má reputação
o metro tem a voz de um cordeiro triste
É isso apenas isso e o demais são
a morte e a nascença dos contrários a
fórmula da ternura e do sossego
abismo de ameaças nos seus olhos
regiões insondáveis e inacessíveis
pequeníssimas flores da memória
relâmpago dourado do olhar
os cheiros acres das redondas cavidades
a tua boca de ouro de onde voam as palavras
animadas figuras do meu sonho
os peixes negros e dourados das recordações
olhos brilhantes de animais desconhecidos
coisas que por pensá-las eu as sinto
Os dias diminuem é outono
alguém alguma coisa me virá desse distante bosque
O que dirão de mim o castanheiro
os rostos múltiplos trazidos pela tarde num momento
a verde zebra que nos campos vibra ou
papoila rubra que no céu me sobra?
Mas amo muito mais amo o bem e o mal
os campos no outono moribundo
no meio do inverno a casa acolhedora
estranha companheira dos meus dias
demónio de demência e desespero
ao longo do caminho no outono
O receio da morte é a fonte da arte
Eu amo a embriaguez vasta dos espaços
a canção inquieta do amor as
alturas coloridas do outono
Não se pode dizer muito melhor
na monstruosa veemência dos sentidos
e sinto-me perdido de tristeza
entre esses longos nomes das mulheres casadas
Houveram morte às minhas mãos as cartas
os aviões nos distribuem por países
saem de um centro partem nas mais várias direcções
farejam na distância os seus destinos
retalham-nos o espaço em sulcos divisórios
Por onde corre agora a fonte das suaves raparigas?
Ficou na casa o meu lugar vazio
levo a desgraça como um braço ao peito
e árvores ao vento neste dia
e sombra ao sol deste meu dia
Queimam as folhas no parque del'oeste
o tecto é baixo o sol está quase a pôr-se
tenho nas minhas mãos três notas do país amado
Esta manhã falavam-me de málaga
e de súbito no meio desta névoa
abriu-se o céu de há anos no verão
Éramos tão jovens nesse tempo
que não sabíamos sequer que nos amávamos assim
e discutimos junto ao porto e regressámos separados
ao hostal onde estávamos aboletados
E tu de olhos no chão reflectias o vulto entre as águas
e não havia os filhos éramos os dois apenas
mas enfim foi há pouco posto que inda hoje brilha
a moeda nesse ano posta em circulação
e que acabo de ter nas minhas mãos no bar
Não me farto de contemplar
o braço esquerdo e a perna direita
que cortados de mim não me pertencem mais
Tu foste sempre reino sobre ti
e o meu desejo é seguir do alto o tejo
Que depressa se esfuma uma cidade no ar
não são sequer as nuvens nem o vasto espaço
basta um golpe de asa que roçando limpe
o pára-brisas próximo horizonte
Pensar é estar alguma coisa a mais
pensar é o que sobra da respiração
pensar é o que não nos leva às coisas
pensando se antecipa a própria morte
O receio da morte é a fonte da arte
alma precocemente iluminada
que pões a salvação no mais profundo risco
o silêncio dos olhos sobranceiros
na predestinação da profecia
suavidade um dia em minha morte
com o olhar imerso na tristeza
Povoavam pássaros a noite
tudo era pensamento para mim
e as palavras só vinham depois
Ó meu país longínquo donde venho
nessa nuvem de vida sobre a minha morte
Na manhã combalida do domingo
na primavera dolorosa dos teus passos ruy
ao tempo de uma má reputação
o metro tem a voz de um cordeiro triste
É isso apenas isso e o demais são
a morte e a nascença dos contrários a
fórmula da ternura e do sossego
abismo de ameaças nos seus olhos
regiões insondáveis e inacessíveis
pequeníssimas flores da memória
relâmpago dourado do olhar
os cheiros acres das redondas cavidades
a tua boca de ouro de onde voam as palavras
animadas figuras do meu sonho
os peixes negros e dourados das recordações
olhos brilhantes de animais desconhecidos
coisas que por pensá-las eu as sinto
Os dias diminuem é outono
alguém alguma coisa me virá desse distante bosque
O que dirão de mim o castanheiro
os rostos múltiplos trazidos pela tarde num momento
a verde zebra que nos campos vibra ou
papoila rubra que no céu me sobra?
Mas amo muito mais amo o bem e o mal
os campos no outono moribundo
no meio do inverno a casa acolhedora
estranha companheira dos meus dias
demónio de demência e desespero
ao longo do caminho no outono
O receio da morte é a fonte da arte
Eu amo a embriaguez vasta dos espaços
a canção inquieta do amor as
alturas coloridas do outono
Não se pode dizer muito melhor
na monstruosa veemência dos sentidos
e sinto-me perdido de tristeza
entre esses longos nomes das mulheres casadas
Houveram morte às minhas mãos as cartas
os aviões nos distribuem por países
saem de um centro partem nas mais várias direcções
farejam na distância os seus destinos
retalham-nos o espaço em sulcos divisórios
Por onde corre agora a fonte das suaves raparigas?
Ficou na casa o meu lugar vazio
levo a desgraça como um braço ao peito
e árvores ao vento neste dia
e sombra ao sol deste meu dia
Queimam as folhas no parque del'oeste
o tecto é baixo o sol está quase a pôr-se
tenho nas minhas mãos três notas do país amado
Esta manhã falavam-me de málaga
e de súbito no meio desta névoa
abriu-se o céu de há anos no verão
Éramos tão jovens nesse tempo
que não sabíamos sequer que nos amávamos assim
e discutimos junto ao porto e regressámos separados
ao hostal onde estávamos aboletados
E tu de olhos no chão reflectias o vulto entre as águas
e não havia os filhos éramos os dois apenas
mas enfim foi há pouco posto que inda hoje brilha
a moeda nesse ano posta em circulação
e que acabo de ter nas minhas mãos no bar
Não me farto de contemplar
o braço esquerdo e a perna direita
que cortados de mim não me pertencem mais
Tu foste sempre reino sobre ti
e o meu desejo é seguir do alto o tejo
Que depressa se esfuma uma cidade no ar
não são sequer as nuvens nem o vasto espaço
basta um golpe de asa que roçando limpe
o pára-brisas próximo horizonte
Pensar é estar alguma coisa a mais
pensar é o que sobra da respiração
pensar é o que não nos leva às coisas
pensando se antecipa a própria morte
O receio da morte é a fonte da arte
Madrid, 24/V/1977
Ruy Belo, Despeço-me da Terra da Alegria, Editorial Presença, 1978
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Amor
A minha maneira de te amar é simples:
aperto-te contra mim
como se houvesse um pouco de justiça no meu coração
e eu ta pudesse dar com o corpo.
Quando revolvo os teus cabelos
algo de belo se forma entre as minhas mãos.
E quase não sei mais nada. Só aspiro
a estar em paz contigo e a estar em paz
com um dever desconhecido
que às vezes também pesa no meu coração.
Antonio Gamoneda, Oração Fria, João Moita (trad.), Assírio & Alvim, 2013.
aperto-te contra mim
como se houvesse um pouco de justiça no meu coração
e eu ta pudesse dar com o corpo.
Quando revolvo os teus cabelos
algo de belo se forma entre as minhas mãos.
E quase não sei mais nada. Só aspiro
a estar em paz contigo e a estar em paz
com um dever desconhecido
que às vezes também pesa no meu coração.
Antonio Gamoneda, Oração Fria, João Moita (trad.), Assírio & Alvim, 2013.
quarta-feira, 29 de maio de 2013
L'Italia, l'Inghilterra
L'Italia è un paese pronto a piegarsi ai peggiori governi. È un paese dove tutto funziona male, come si sa. È un paese dove regna il disordine, il cinismo, l'incompetenza, la confusione. E tuttavia, per le strade, si sente circolare l'intelligenza, come un vivido sangue.
È un'intelligenza che, evidentemente, non serve a nulla. Essa non è spesa a beneficio di alcuna istituzione che possa migliorare di un poco la condizione umana. Tuttavia scalda il cuore e lo consola, se pure si tratta d'un ingannevole, e forse insensato, conforto.
In Inghilterra l'intelligenzia si traduce nelle opere, ma se la cerchiamo attorno a noi per la strada, fra la gente che passa, non ne troviamo un solo barlume, e questo, certo stupidamente e ingiustamente, ci sembra una privazione, e ci fa ammalare di malincolia.
Natalia Ginzburg, "Elogio e Compianto dell'Inghilterra", Le Piccole Virtú, Einaudi, 2012 (primeira edição, 1962).
terça-feira, 28 de maio de 2013
On raconte aussi que Jésus, fils de Marie, et Jean, fils de Zacharie - que le salut soit sur eux - se rencontrant un jour, Jean dit à Jésus: "Que t'arrive-t-il por que tu viennes ainsi à ma rencontre en riant, si visiblement plein de confiance? - "Que t'arrive-t-il", répliqua Jésus, "que tu vie viennes à ma rencontre renfrogné, comme si tu étais désespéré?" Le Dieu Très-Haut leur dit alors secrètement ces paroles: "Celui d'entre vous deux qui m'aime le plus est celui qui me fais le plus de confiance."
Ahmad at-Tîfâshî (1184-1253), As delícias dos corações ou o que se não encontra em outro livro
(trad. do árabe por René R. Khawam)
domingo, 26 de maio de 2013
In questa
C'è una certa monotona uniformità nei destini degli uomini. Le nostre esistenze si svolgono secondo leggi antiche ed immutabili, secondo una loro cadenza uniforma ed antica. I sogni non si avverano mai e non appena li vediamo spezzati, comprendiamo a un tratto che le gioie maggiori della nostra vita sono fuori della realtà. Non appena li vediamo spezzati, ci struggiamo di nostalgia per il tempo che fervevano in noi. La nostra sorte transcorre in questa vicenda di speranze e di nostalgia.
Natalia Ginzburg, Le Piccole Virtú, "Inverno in Abruzzo", Einaudi, 2012 (Primeira edição 1962).
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Intento, sin compañía, de rehabitar una ciudad
Pienso en la solución confusa de este cielo,
la lluvia casi a punto en la mirada
débil que las muchachas me dirigen
acelerando el paso, solitarias,
en medio del acento que se escapa
como un gato pacífico
de las conversaciones.
Y también pienso en ti. Es la exigencia
de cruzar esta plaza, la tarde, Buenos Aires
con nubes y mil cables en el cielo,
cinco años después
de que lo conociéramos nosotros.
Los que vienen de fuera siguen viendo
ese resumen ancho de todas las ciudades,
ríos que de tan grandes
ya no esperan el mar para sentir la muerte,
cafés que han encerrado
la imitación nostálgica del mundo,
con mesas de billar y habitantes que viven
hablando de sus pérdidas en alto.
Mientras corre la gente a refugiarse
de la lluvia, empujándome,
pienso, desorientado,
en el dolor de este país incomprensible
y recuerdo la nube
de tus preguntas y tus profecías,
selladas con un beso,
en la Plaza de Mayo,
camino del hotel.
Testigos invisibles para un sueño,
hicimos la promesa
de regresar al cabo de los años.
Parecías entonces
eterna y escogida,
como cualquier destino inevitable,
y apuntabas el número de nuestra habitación.
Ahora,
cuando pido la llave de la mía
y el alga de la luz en el vestíbulo
es lluvia rencorosa,
vivo confusamente el desembarco
de la melancolía,
mitad por ti, mitad porque es el tiempo
agua que nos fabrica y nos deshace.
Luis García Montero, de Las Flores del Frío, 1991, in Poesía Urbana, Renacimiento, 2010 (4ª ed.)
la lluvia casi a punto en la mirada
débil que las muchachas me dirigen
acelerando el paso, solitarias,
en medio del acento que se escapa
como un gato pacífico
de las conversaciones.
Y también pienso en ti. Es la exigencia
de cruzar esta plaza, la tarde, Buenos Aires
con nubes y mil cables en el cielo,
cinco años después
de que lo conociéramos nosotros.
Los que vienen de fuera siguen viendo
ese resumen ancho de todas las ciudades,
ríos que de tan grandes
ya no esperan el mar para sentir la muerte,
cafés que han encerrado
la imitación nostálgica del mundo,
con mesas de billar y habitantes que viven
hablando de sus pérdidas en alto.
Mientras corre la gente a refugiarse
de la lluvia, empujándome,
pienso, desorientado,
en el dolor de este país incomprensible
y recuerdo la nube
de tus preguntas y tus profecías,
selladas con un beso,
en la Plaza de Mayo,
camino del hotel.
Testigos invisibles para un sueño,
hicimos la promesa
de regresar al cabo de los años.
Parecías entonces
eterna y escogida,
como cualquier destino inevitable,
y apuntabas el número de nuestra habitación.
Ahora,
cuando pido la llave de la mía
y el alga de la luz en el vestíbulo
es lluvia rencorosa,
vivo confusamente el desembarco
de la melancolía,
mitad por ti, mitad porque es el tiempo
agua que nos fabrica y nos deshace.
Luis García Montero, de Las Flores del Frío, 1991, in Poesía Urbana, Renacimiento, 2010 (4ª ed.)
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Señor, ahora que mi piel y la suya...
Señor,
ahora que mi piel y la suya
-después de las sábanas-
han formado un nuevo «collage» en el agua,
no es el mejor momento para hablarle,
desde luego,
pero aprovechando que estoy arriba
y usted debajo,
quisiera decirle
-casi no me atrevo con sus ojos-
que no puedo más,
que voy a pararme.
-Era el placer como una de esas muñecas rusas que se abren
y aparece otra,
y otra...-
Señor, si usted sabe...
Señor,
si usted sabe
que yo ahora estoy celosa
por lo que me ha dicho,
tenga al menos el detalle de no hacérmelo notar durante
la cena.
(Nunca en mi vida enrollé espaguetis con tanto odio.)
Almudena Guzmán, La Playa del Olvido, Altair, 1984
ahora que mi piel y la suya
-después de las sábanas-
han formado un nuevo «collage» en el agua,
no es el mejor momento para hablarle,
desde luego,
pero aprovechando que estoy arriba
y usted debajo,
quisiera decirle
-casi no me atrevo con sus ojos-
que no puedo más,
que voy a pararme.
-Era el placer como una de esas muñecas rusas que se abren
y aparece otra,
y otra...-
Señor, si usted sabe...
Señor,
si usted sabe
que yo ahora estoy celosa
por lo que me ha dicho,
tenga al menos el detalle de no hacérmelo notar durante
la cena.
(Nunca en mi vida enrollé espaguetis con tanto odio.)
Almudena Guzmán, La Playa del Olvido, Altair, 1984
terça-feira, 21 de maio de 2013
La ventana me remite a su coche
La ventana me remite a su coche,
el coche al beso,
el beso a la oreja que anda siempre perdiendo pendientes,
la oreja a la boca,
la boca a las medias porque las rompe,
las medias al...
-¿Tienes un bolígrafo de más?
-Toma, y a ver si dejas de pedirme cosas,
que contigo al lado no hay quien coja un apunte,
Mari Carmen.
Almudena Guzmán, La Playa del Olvido, Altair, 1984
el coche al beso,
el beso a la oreja que anda siempre perdiendo pendientes,
la oreja a la boca,
la boca a las medias porque las rompe,
las medias al...
-¿Tienes un bolígrafo de más?
-Toma, y a ver si dejas de pedirme cosas,
que contigo al lado no hay quien coja un apunte,
Mari Carmen.
Almudena Guzmán, La Playa del Olvido, Altair, 1984
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Foto antigua
Y esa monicaca de chocolate hasta los kikis de rosados lacitos soy yo.
Quién lo diría.
Quién adivinaría en esos ojitos dulces un atisbo, sólo un atisbo de
amargura.
¡Si ella, la otra yo, la que fue voraz consumidora de leche condensada,
me conociera ahora!
Ahora que estoy hecha un asco, ajada, sin luz, luciérnaga exenta de
brillantes culebreos.
Qué pena.
La abstracción de mi mente ha culminado en un monolito de sal. Y ya
no quiero escribir más.
Almudena Guzmán, La playa del olvido, Altair 1984.
Quién lo diría.
Quién adivinaría en esos ojitos dulces un atisbo, sólo un atisbo de
amargura.
¡Si ella, la otra yo, la que fue voraz consumidora de leche condensada,
me conociera ahora!
Ahora que estoy hecha un asco, ajada, sin luz, luciérnaga exenta de
brillantes culebreos.
Qué pena.
La abstracción de mi mente ha culminado en un monolito de sal. Y ya
no quiero escribir más.
Almudena Guzmán, La playa del olvido, Altair 1984.
domingo, 19 de maio de 2013
The shore
And when I was nearing the ocean, for the first
time since we'd parted -
approaching that place where the liquid stillborn
robe pulls along pulverised boulder -
that month, each year, came back when we'd swim,
first thing, then go back to bed, the the kelp-field, our
green hair pouring into each other's green
hair of skull and crux bone. We were like
a shore, I thought - two elements touching
each other, dozing in the faith that we were
knowing each other, one of us
maybe a little too much a hunter,
the other a little too polar of affection,
polar of summer mysteriousnesss,
magnetic in reticent mourning. His first
mate was a husky pup, who died,
from the smoke, in a fire. Someone asked him,
once, to think from the point of view
of the flames, and his face relaxed, and he said,
Delicious. I hope he can come to think
of me like that. The weeks before he left,
I'd lie on him, as if not heavy,
for a minute, after the last ferocious
ends of the world, as if loneliness had come
overland to its foreshore, breaker,
shelf, trench, and then had fallen down to where
it seemed it could not be recovered from. Elements,
protect him, and those we love, wether we both
love them or not. Physics, author of our
death, stand by us. Compass, we are sinking
down through sea-purse toward eyes on stalks.
We have always been going back, since birth,
back toward not being alive. Doing it -
it - with him, I felt I shared
a dignity, an inhuman sweetness
of his sisters and brothers the iceberg calf,
the snow ant, the lighthouse rook,
the albatross, who once it breaks out of the
shell, and rises, does not set down again.
Sharon Olds, Stag's Leap, Cape Poetry, 2012.
time since we'd parted -
approaching that place where the liquid stillborn
robe pulls along pulverised boulder -
that month, each year, came back when we'd swim,
first thing, then go back to bed, the the kelp-field, our
green hair pouring into each other's green
hair of skull and crux bone. We were like
a shore, I thought - two elements touching
each other, dozing in the faith that we were
knowing each other, one of us
maybe a little too much a hunter,
the other a little too polar of affection,
polar of summer mysteriousnesss,
magnetic in reticent mourning. His first
mate was a husky pup, who died,
from the smoke, in a fire. Someone asked him,
once, to think from the point of view
of the flames, and his face relaxed, and he said,
Delicious. I hope he can come to think
of me like that. The weeks before he left,
I'd lie on him, as if not heavy,
for a minute, after the last ferocious
ends of the world, as if loneliness had come
overland to its foreshore, breaker,
shelf, trench, and then had fallen down to where
it seemed it could not be recovered from. Elements,
protect him, and those we love, wether we both
love them or not. Physics, author of our
death, stand by us. Compass, we are sinking
down through sea-purse toward eyes on stalks.
We have always been going back, since birth,
back toward not being alive. Doing it -
it - with him, I felt I shared
a dignity, an inhuman sweetness
of his sisters and brothers the iceberg calf,
the snow ant, the lighthouse rook,
the albatross, who once it breaks out of the
shell, and rises, does not set down again.
Sharon Olds, Stag's Leap, Cape Poetry, 2012.
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