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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Jardim
































A solidão de um jardim, mas na visão transfiguradora de Eugène Atget. Ainda não tive tempo de ler, mas tenho curiosidade de dar uma vista de olhos a este artigo sobre Atget e Rilke.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A hora inclina-me e toca-me
com golpe claro, metálico:
Tremem-me os sentidos. Sinto: eu posso -
e agarro o dia plástico.

Nenhuma coisa era perfeita antes de eu a olhar,
todo o devir parava.
A cada um dos meus olhares, agora já maduros,
vem, como noiva, a coisa apetecida.

Nada é pequeno para mim, e amo-o apesar de tudo
e pinto-o em fundo de ouro, e grande,
e ergo-o ao alto, e não sei a quem
libertará a alma...

Rainer Maria Rilke, Livro das Horas, Livro Primeiro: O Livro da Vida Monástica (in Poemas, As Elegias de Duíno, Sonetos a Orfeu, Editorial Asa, Porto, 2003⁵, trad. Paulo Quintela)

domingo, 28 de junho de 2009

Minha vida não é esta hora abrupta
em que me vês tão açodado.
Sou uma árvore em frente do meu fundo,
sou só uma das minhas muitas bocas
e, delas, a que mais cedo se fecha.

Sou o silêncio que há entre duas notas
que só a custo se acostumam uma à outra:
porque a da morte quer elevar-se -

Mas no intervalo escuro se congraçam
ambas trémulas.
E a melodia é bela.

Rainer Maria Rilke, Livro das Horas, Livro Primeiro: O Livro da Vida Monástica (in Poemas, As Elegias de Duíno, Sonetos a Orfeu, Editorial Asa, Porto, 2003⁵, trad. Paulo Quintela)