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sábado, 5 de maio de 2012

domingo, 20 de dezembro de 2009

Versões de Giges e Candaules
























No Livro I das Histórias Heródoto narra o episódio de Giges e Candaules. Candaules, rei da Lídia, era um homem muito apaixonado pela sua mulher, a tal ponto, que constantemente gaba a sua beleza a um dos seus soldados, um daqueles fiéis capitães de guarda, feitos para aparecerem nos livros, chamado Giges. Um dia o rei diz a Giges que este não acredita no que ele lhe diz acerca da beleza da esposa e convida-o a vê-la nua. O pobre Giges entra em pânico e recusa-se ferozmente a fazê-lo. (Entre os lídios era pecado ver a nudez fosse de quem fosse.) Contudo, perante a insistência do rei, o vassalo não tem como recusar.
Por azar, ao espiar a mulher de Candaules, Giges acaba por ser visto por ela. A mulher, em vez de denunciar aquilo de que se apercebera, ficou calada mas compreendeu imediatamente que aquele acto era um insulto cujo responsável era o rei.
No dia seguinte, manda que se traga à sua presença Giges e dá-lhe duas escolhas: ou matar o rei ou ser imediatamente morto. Um dos dois ia pagar a ofensa que lhe fora feita. Entre a própria vida e a de outrem, Giges escolhe a sua. O rei é morto, Giges sobe ao trono da Lídia, destronando o último dos Heraclidas. Porém, uma maldição passa para a sua casa: um descente de Giges sofrerá destino semelhante ao de Candaules (Creso, às mãos de Ciro).
No filme de Akira Kurosawa, Rashomon, o «pecado» em que a acção enraíza é da mesma índole. Um marido que, em qualquer dos casos, acaba por falhar à esposa, até certo ponto compactuar com que outro homem visse a sua mulher, sempre velada, e por sofrer às mãos do amante (?) uma morte que em parte radica na sua inconstância. Se Akira Kurosawa leu esta história de Heródoto não é possível saber.
Um outro filme em que surge uma alusão explícita a esta passagem é em O Paciente Inglês. Aqui.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

«Rashomon» de Akira Kurosawa, 1950


Com uma banda sonora excelente, com uma interpretação extraordinária de Toshirô Mifune, um filme fantástico, tão artesanal na forma como foi filmado que mais parece uma peça de teatro.