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sexta-feira, 11 de junho de 2010

A perder de vista no sentido do meu corpo

Todas as árvores todos os seus ramos todas as suas folhas
A erva na base dos rochedos e as casas amontoadas
Ao longo o mar banhando a tua vista
Estas imagens de um dia e outro dia
Os vícios as virtudes tão imperfeitas
A transparência dos transeuntes nas ruas de acaso
E as transeuntes exaladas pelas tuas pesquisas obstinadas
As tuas ideias ficas no coração de chumbo nos lábios virgens
Os vícios as virtudes tão imperfeitas
A semelhança dos olhares consentidos com os olhares conquistados
A confusão dos corpos das fadigas dos ardores
A imitação das palavras das atitudes das ideias
Os vícios as virtudes tão imperfeitas

O amor é um homem inacabado

Paul Eluard
, L' Amour de la Poésie, 1929, Antologia, Tradução de António Ramos Rosa, Tempo de Poesia n.º8

Léda

Meu corpo desperta sou juvenil e bela
E murmuro um cantar da minha infância

Numa suave cama meu corpo como um íman
Desenha um céu de estrelas visto em sonhos

Todos me perderam de ninguém sou
Contudo sou como um espelho volante
Ofereço meu riso às fáceis cortesias

Meus seios têm a idade de ser acariciados
Como um sino pela tempestade atroz
Como um pão raro por quem saciou a fome

Posso limitar o poderia dos deuses
E deitar abaixo a sua imaginação

Ser mortal reproduzindo-me
Ser eterna destruindo o tempo

Hei-de corar quando o frio me tomar
E serei de neve nas chamas


Paul Eluard
, Léda, 1949, Antologia, Tradução de António Ramos Rosa, Tempo de Poesia n.º8
Eu disse-to pelas nuvens
Disse-to pelas árvores do mar
Por cada onda pelos pássaros nas folhas
Pelos calhaus do ruído
Pelas mãos familiares
Pelo olhar que se torna rosto ou paisagem
E o sono dá ao céu a sua cor
Por toda a noite bebida
Pela grade das estradas
Pela janela aberta por um fronte descoberta
Disse-to pelos teus pensamentos pelas tuas palavras
Toda a carícia toda a confiança se sobrevivem.

Paul Eluard, L' Amour de la Poésie, 1929, Antologia, Tradução de António Ramos Rosa, Tempo de Poesia n.º8

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Athéne

Peuple grec peuple roi peuple desperé
Tu n'as plus rien a perdre que la liberté
Ton amour de la liberté de la justice
Et l'infini respect que tu as de toi même

Peuple roi tu n'es pas menacé de mourir
Tu es semblable a ton amour tu es candide
Et ton corps et ton couer on faim d'eternité
Peuple roi tu as cru que le pain t'était dû

Et que l'on te donnait honnêtement des armes
Pour sauver ton honneur et rétablir ta loi
Peuple désesperé ne te fie qu'à tes armes
On t'en a fait la charité fais-en l'espoir

Oppose cet espoir à la lumiére noire
A la mort sans pardon qui n'a plus pied chez toi
Peuple désesperé mais peuple de héros
Peuple de meurt-de-faim gouramands de leur patrie

Petit et grand à la mesure de ton temps
Peuple grec à jamais maître de tes désirs
La chair et l'idéal de la chair conjugués
Les désirs naturels la liberté le pain

La liberté pareille à la mer au soleil
Le pain pareille aux dieux le pain qui joint les hommes
Le bien réel et lumineux plus fort que tout
Plus fort que la douleur et que nos ennemis.

Paul Eluard, Selected Poems, John Calder Publishers, 1987.

(De folhear o livro de Paul Eluard que há pouco me chegou aqui a casa, vindo de Manchester...)