The Greeks gathered for war.
The breath-taking island of Salamis
that hostile hands had torn from them
lay in view of the Athenian harbour.
Now friends from another island
have come to fit out our ships.
The English have never much liked
the sweet soil that is Europe’s.
Continent of the modern Hellenes,
protect Pireus! Save the Acropolis!
Gifts from the island? Who needs
a whole forest of uninvited ships?
1916
One night I was washing in the yard,
above me a sky of jostling stars –
like salt on an axe, each beam –
the barrel near-frozen to the brim.
The gates were shut and locked;
believe me, the earth is strict.
You won’t find a principle cleaner
than the truth there is in fresh linen.
A star dissolves like salt in the barrel.
The ice-cold water blackens.
A cleaner death, saltier troubles,
and the earth is more truthful and terrible.
1921
Tradução de Alistair Noon, tirados daqui.
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domingo, 17 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Não compares: o vivente é incomparável.
Com que terno pavor se aceita
das planícies a uniformidade
e o arco do céu como doença.
Dele esperando notícia ou serviço,
ao ar submisso apelei, o percurso
compus, e naveguei pelo arco
das viagens que não têm começo.
Onde tenho mais céu é que vagueio,
mas ir de Vorónej, a dos cerros novos,
para os montes toscanos de todos os homens,
impede-mo esta angústia clara.
Com que terno pavor se aceita
das planícies a uniformidade
e o arco do céu como doença.
Dele esperando notícia ou serviço,
ao ar submisso apelei, o percurso
compus, e naveguei pelo arco
das viagens que não têm começo.
Onde tenho mais céu é que vagueio,
mas ir de Vorónej, a dos cerros novos,
para os montes toscanos de todos os homens,
impede-mo esta angústia clara.
18 de Janeiro de 1937
Óssip Mandelstam, Fogo Errante, trad. Nina Guerra e Filipe Guerra, Relógio d'Água, 2001
domingo, 11 de outubro de 2009
Afternoon With Circus and Citadel
In Brest, before hoops of flame,
In the tent where the tiger leapt,
there, Finite, I heard you sing,
there I saw you, Mandelstam.
The sky hung above the roadtead
the hull hung above the crane.
What is finit sang, what is constant -
you, gunboat, are called "Baobab".
I saluted the tricolore
speaking a Russian word -
things lost were things not lost,
the heart was a place made fast.
Paul Celan, Poems of Paul Celan, Michael Hamburger (trad.), Persea Books, 1995.
(Neste blogue tem-se transcrito poemas de Mandelstam, lembrei-me disto.)
In the tent where the tiger leapt,
there, Finite, I heard you sing,
there I saw you, Mandelstam.
The sky hung above the roadtead
the hull hung above the crane.
What is finit sang, what is constant -
you, gunboat, are called "Baobab".
I saluted the tricolore
speaking a Russian word -
things lost were things not lost,
the heart was a place made fast.
Paul Celan, Poems of Paul Celan, Michael Hamburger (trad.), Persea Books, 1995.
(Neste blogue tem-se transcrito poemas de Mandelstam, lembrei-me disto.)
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Jarro
Ainda não morreste, inda não estás sozinho:
A companheirinha-mendiga
No vale magnânimo e com a bruma, o frio,
A tempestade — está contigo.
Na pobreza opulenta, miséria poderosa,
Vive tranquilo e consolado.
Benditas são as noites e os dias, e o labor
Do belo-verbo sem pecado.
Desgraçado é quem de si mesmo é a sombra,
A quem assusta o ladrido,
O vento ceifa. É pobre quem pede esmola à sombra
Meio morto e ferido.
A companheirinha-mendiga
No vale magnânimo e com a bruma, o frio,
A tempestade — está contigo.
Na pobreza opulenta, miséria poderosa,
Vive tranquilo e consolado.
Benditas são as noites e os dias, e o labor
Do belo-verbo sem pecado.
Desgraçado é quem de si mesmo é a sombra,
A quem assusta o ladrido,
O vento ceifa. É pobre quem pede esmola à sombra
Meio morto e ferido.
Ossip Mandelstam, Guarda minha Fala para Sempre, trad. Nina Guerra e Filipe Guerra, Assírio & Alvim, Lisboa, 1996
Perdi-me no céu — que fazer d'ora em diante?
Perdi-me no céu — que fazer d'ora em diante?
Tu, tão próximo dele — vais-me responder!
Oh, nove discos atléticos de Dante
Era-vos mais fácil o metálico bater,
Sufocar e azular e enegrecer.
Se eu não sou todo inútil nem pertenço
Ao dia de ontem — tu, que acima te colocas
E, provedor do vinho, nos serves as taças —
Serve-me força, evita a espuma vazia,
Que eu beba à saúde da rodopiante torre —
Céu, violento corpo a corpo do azul.
Pombais, negruras, refúgios de estorninhos,
Farrapos de sombras escuras mais azuis,
Gelo da primavera, gelo celestial,
Gelo primevo, nuvens, lutadores de encanto —
Silêncio, que levam uma nuvem pela rédea.
Tu, tão próximo dele — vais-me responder!
Oh, nove discos atléticos de Dante
Era-vos mais fácil o metálico bater,
Sufocar e azular e enegrecer.
Se eu não sou todo inútil nem pertenço
Ao dia de ontem — tu, que acima te colocas
E, provedor do vinho, nos serves as taças —
Serve-me força, evita a espuma vazia,
Que eu beba à saúde da rodopiante torre —
Céu, violento corpo a corpo do azul.
Pombais, negruras, refúgios de estorninhos,
Farrapos de sombras escuras mais azuis,
Gelo da primavera, gelo celestial,
Gelo primevo, nuvens, lutadores de encanto —
Silêncio, que levam uma nuvem pela rédea.
Ossip Mandelstam, Guarda minha Fala para Sempre, trad. Nina Guerra e Filipe Guerra, Assírio & Alvim, Lisboa, 1996.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Ainda não morreste, inda não estás sozinho
Ainda não morreste, inda não estás sozinho:
A companheirinha-mendiga
No vale magnânimo e com a bruma, o frio,
A tempestade — está contigo.
Na pobreza opulenta, miséria poderosa,
Vive tranquilo e consolado.
Benditas são as noites e os dias, e o labor
Do belo-verbo sem pecado.
Desgraçado é quem de si mesmo é a sombra,
A quem assusta o ladrido,
O vento ceifa. É pobre quem pede esmola à sombra
Meio morto e ferido.
A companheirinha-mendiga
No vale magnânimo e com a bruma, o frio,
A tempestade — está contigo.
Na pobreza opulenta, miséria poderosa,
Vive tranquilo e consolado.
Benditas são as noites e os dias, e o labor
Do belo-verbo sem pecado.
Desgraçado é quem de si mesmo é a sombra,
A quem assusta o ladrido,
O vento ceifa. É pobre quem pede esmola à sombra
Meio morto e ferido.
Ossip Mandelstam, Guarda minha Fala para Sempre, trad. Nina Guerra e Filipe Guerra, Assírio & Alvim, Lisboa, 1996
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
A ninguém digas que vieste
A ninguém digas que vieste —
Esquece o pássaro agreste,
A prisão, a velha triste —
A tudo o que viste, esquece.
Quando não, serás possesso
— Mal a tua boca se abra —
Pelas agulhas trementes
De abetos ao romper d'alba.
Lembrarás — a vespa e a quinta,
Lápis de cor e o silvestre
Mirtilo que em tua vida
Nunca no bosque colheste.
Esquece o pássaro agreste,
A prisão, a velha triste —
A tudo o que viste, esquece.
Quando não, serás possesso
— Mal a tua boca se abra —
Pelas agulhas trementes
De abetos ao romper d'alba.
Lembrarás — a vespa e a quinta,
Lápis de cor e o silvestre
Mirtilo que em tua vida
Nunca no bosque colheste.
Ossip Mandelstam, Guarda minha Fala para Sempre, Nina Guerra e Filipe Guerra (trads.), Assírio & Alvim, Lisboa, 1996.
sábado, 3 de outubro de 2009
Fala espinhosa do vale Ararate
Fala espinhosa do vale Ararate,
Fala arménia — selvagem gata,
Predadora língua da cidade-adobe,
Dos tijolos famintos a fala.
E o céu míope do xá — de nascença
Uma turquesa cega — nunca pára
De ler o livro oco dos barros
Em sangue negro coagulados.
Ossip Mandelstam, Guarda Minha Fala para Sempre, trad. Nina Guerra e Filipe Guerra, Assírio & Alvim, Lisboa, 1996
Fala arménia — selvagem gata,
Predadora língua da cidade-adobe,
Dos tijolos famintos a fala.
E o céu míope do xá — de nascença
Uma turquesa cega — nunca pára
De ler o livro oco dos barros
Em sangue negro coagulados.
Ossip Mandelstam, Guarda Minha Fala para Sempre, trad. Nina Guerra e Filipe Guerra, Assírio & Alvim, Lisboa, 1996
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
"Quando sai para os céus a lua citadina"
Quando sai para os céus a lua citadina,
E a noite prenhe de cobre e mágoa cresce,
E de lua a cidade espessa se ilumina,
E a cera canora ao tempo rude cede,
E na sua torre de pedra o cuco chora,
E a pobre ceifeira — no mundo dessangrado —
Ajeita de leve agulhas de sombra enorme
E as lança, palha amarela, no sobrado...
Ossip Mandelstam, Guarda minha Fala para Sempre, trad. Nina Guerra e Filipe Guerra, Assírio & Alvim, Lisboa, 1996
E a noite prenhe de cobre e mágoa cresce,
E de lua a cidade espessa se ilumina,
E a cera canora ao tempo rude cede,
E na sua torre de pedra o cuco chora,
E a pobre ceifeira — no mundo dessangrado —
Ajeita de leve agulhas de sombra enorme
E as lança, palha amarela, no sobrado...
Ossip Mandelstam, Guarda minha Fala para Sempre, trad. Nina Guerra e Filipe Guerra, Assírio & Alvim, Lisboa, 1996
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Inseparável do medo é a queda,
Medo é mesmo do vazio o sentimento.
Quem das alturas nos atira a pedra,
Rejeitando ela o jugo do momento?
E tu, com teus passos hirtos de monge,
Mediste em tempos a nave empedrada:
Calhaus e sonhos rudes — não está longe
A sede de morte, a grandeza ansiada!
Maldito sejas, gótico abrigo,
Quem entra é pelo tecto enganado,
Na lareira não arde o lenho amigo.
Vivendo eternidade poucos haja,
Mas, viver ao momento subjugado —
Que terrível sorte e que frágil casa!
Ossip Mandelstam, Guarda minha Fala para Sempre, trad. Nina Guerra e Filipe Guerra, Assírio & Alvim, Lisboa, 1996
Medo é mesmo do vazio o sentimento.
Quem das alturas nos atira a pedra,
Rejeitando ela o jugo do momento?
E tu, com teus passos hirtos de monge,
Mediste em tempos a nave empedrada:
Calhaus e sonhos rudes — não está longe
A sede de morte, a grandeza ansiada!
Maldito sejas, gótico abrigo,
Quem entra é pelo tecto enganado,
Na lareira não arde o lenho amigo.
Vivendo eternidade poucos haja,
Mas, viver ao momento subjugado —
Que terrível sorte e que frágil casa!
Ossip Mandelstam, Guarda minha Fala para Sempre, trad. Nina Guerra e Filipe Guerra, Assírio & Alvim, Lisboa, 1996
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