soçobrando corro
ao encontro do seu horizonte
à luz das palavras
através de anos-sombra
o horizonte recua
perante o mundo
nenhuma queda livre no silêncio
por detrás assomam as palavras
chamam
pelo poema aos teus mortos
Eva Christina Zeller, Sigo a Água, Maria Teresa Dias Furtado (trad.), Relógio d'Água, 1996
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Sonho
Ardem os campos
o lago bebe brasas
chove cinza na aldeia
sem estrelas a noite dilui-se
nenhuma pedra fala
em silêncio levanta-se o vento
escapei
recordo que esqueci
Eva Christina Zeller, Sigo a Água, Maria Teresa Dias Furtado (trad.), Relógio d'Água, 1996
o lago bebe brasas
chove cinza na aldeia
sem estrelas a noite dilui-se
nenhuma pedra fala
em silêncio levanta-se o vento
escapei
recordo que esqueci
Eva Christina Zeller, Sigo a Água, Maria Teresa Dias Furtado (trad.), Relógio d'Água, 1996
sábado, 19 de fevereiro de 2011
17 Junho 85
(pela comemoração do tricentenário da Wurmlinger Kapelle)
não estava demasiado calor
os camponeses recolhiam o feno
começava a época dos morangos
passámos o dia em discórdia
as nuvens mostravam caretas
e bocas escancaradas
o dia começou ao entardecer
o crepúsculo trouxe luz
lá no alto ilumina o corpo de bombeiros
Eva Christina Zeller, Sigo a Água, Maria Teresa Dias Furtado (trad.), Relógio d'Água, 1996
não estava demasiado calor
os camponeses recolhiam o feno
começava a época dos morangos
passámos o dia em discórdia
as nuvens mostravam caretas
e bocas escancaradas
o dia começou ao entardecer
o crepúsculo trouxe luz
lá no alto ilumina o corpo de bombeiros
Eva Christina Zeller, Sigo a Água, Maria Teresa Dias Furtado (trad.), Relógio d'Água, 1996
Hölderlin não esteve em Tübingen
Ele não esteve aqui
aqui nada tinha a encontrar
Não olhou pela janela
não leu nenhuns livros
nada levou consigo
não ficou de luto
Não cambaleou ao transpor a rua
não tirou o chapéu
não atravessou a ponte
não estendeu o braço à volta de nada
Ele não esteve aqui
não viveu de modo algum
ele viveu noutro lugar
Eva Christina Zeller, Sigo a Água, Maria Teresa Dias Furtado (trad.), Relógio d'Água, 1996
aqui nada tinha a encontrar
Não olhou pela janela
não leu nenhuns livros
nada levou consigo
não ficou de luto
Não cambaleou ao transpor a rua
não tirou o chapéu
não atravessou a ponte
não estendeu o braço à volta de nada
Ele não esteve aqui
não viveu de modo algum
ele viveu noutro lugar
Eva Christina Zeller, Sigo a Água, Maria Teresa Dias Furtado (trad.), Relógio d'Água, 1996
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